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Fogaça da Feira tem 13 novos escudeiros

Crianças com 8 e 9 anos foram investidas pela confraria, para defenderem a chamada “Rainha da Feira” e darem continuidade à tradição

A Câmara Municipal de Santa Maria da Feira informou que, no passado fim de semana, 13 crianças assumiram o compromisso - «raro para a idade» - de preservar e divulgar a chamada “Rainha da Feira».

Realizada no Salão Nobre do Castelo, a Investidura dos Escu­deiros da Confraria da Fogaça integrou-se no programa da Festa das Fogaceiras e decorreu no âmbito de um projeto educativo desenvolvido há dez anos. Os investidos têm entre os 8 e 9 anos e são alunos do 1.º ciclo da Escola Básica de Fornos ou filhos de confrades.

Num ambiente solene, cada criança foi chamada individualmente e investida como escudeiro, com o toque simbólico da espada empunhada por um confrade: «Eu te invisto escudeiro da Confraria da Fogaça da Feira».

Cada um deles disponibilizou-se para «defender a verdadeira fogaça», com a confraria a ver neste ato «a semente»do seu futuro, por envolver as novas gerações na preservação da tradição.

Os fatos de escudeiro, em cortiça e inspirados no traje dos confrades, resultam de uma parceria com a Corticeira Amorim e permitem que os meninos integrem a Procissão das Fogaceiras, uma vez que o cortejo cívico é tradicionalmente reservado às meninas fogaceiras.

Entre os novos escudeiros, Inês Andrade, de 9 anos, a­lu­na do 4.º ano, confessou ter fi­cado surpreendida com o ritual: «Eu não sabia que a investidura era feita com uma espada e fiquei muito admirada, mas alegre também», declarou. Conhecedora da história, recordou que, em tempos antigos, o «pão doce oferecido curou muita gente da peste negra».

Mateus Andrade, também de 9 anos e filho de um casal de confrades de Santa Maria da Feira, garantiu que passou a sentir «uma responsabilidade maior». E prometeu divulgar «mais» a fogaça, junto dos seus amigos.

A mestre da Confraria da Fogaça da Feira, Elisabete Pinho, destacou a importância do contacto com a tradição desde a infância, criando «ligação ao território e sentido de pertença». Após a investidura, coube-lhe ainda conduzir a prova da fogaça, que foi dada a provar a cada um dos novos escudeiros.

Beatriz Silva, vereadora da Educação e Juventude da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, salientou o valor do projeto enquanto continuidade de um legado identitário. Também ela considerou «fundamental» envolver os mais novos na preservação da «identidade» feirense, para que reconheçam e valorizem as tradições locais.

Responsável pela dinamização do projeto na escola de Fornos, a professora Sónia Carvalho sublinhou tratar-se de uma iniciativa «tão trabalhosa como gratificante», envolvendo professores, funcionários e encarregados de educação».

Disse que pode ser partilhada com outros estabelecimentos de ensino do concelho, porque quanto mais «sementinhas» forem lançadas «melhor».

A Festa das Fogaceiras reali­za-se no próximo dia 20, mas todo este mês é dedicado a esta tradição secular de Santa Maria da Feira, com um programa com atividades educativas, culturais e gastronómicas.

Janeiro 14, 2026 . 08:45

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