
«A dupla está a ter um sucesso com que eu próprio não contava»
João Claro assinou o primeiro contrato com uma editora na estação de comboios de Santa Apolónia, em Lisboa, e nunca mais olhou para trás. «Foi um dos momentos mais felizes da minha vida», admite. Nascido em Eixo, em 1962, o artista conta já com 49 anos de carreira musical e 19 edições musicais no mercado. Com Benvinda Costa, com quem atua há cerca de quatro anos, forma a «dupla mais simpática do país».
Diário de Aveiro: Sempre teve o bichinho da música?
João Claro: Sim, desde criança. Já na escola primária fiz o exame da 4.ª classe a cantar junto ao quadro.
Que tema cantou?
Como eu tinha alguma dificuldade em Geografia, o professor Álvaro chamou-me ao quadro e cantei uma música do Roberto Carlos, “Meu Querido, meu velho, meu amigo”. Foi assim que recebi a minha primeira grande salva de palmas e foi assim que passei no exame.
Quando começou o seu trajeto musical?
Aos 14 anos de idade, eram tempos difíceis… O meu pai era emigrante, a minha mãe ficou comigo e com o meu irmão e depois com a minha irmã. Tínhamos muitas dificuldades financeiras, mas fui convidado para fazer parte de um grupo, o “Vozes do Vouga”. Assim começou o meu trajeto: eu cantava e tocava bombo, com temas de outros artistas. Depois passei por alguns grupos de baile, e pelo folclore, nomeadamente na minha terra, com “O Rancho do Baixo Vouga”, e fui dono de um grupo de baile no qual cantava e tocava bateria e viola. Mais tarde, fui convidado para gravar numa editora em Lisboa e deixei o grupo. A minha grande prenda foi a editora me ter dado 800 cassetes, em 1989. Era um grande feito para quem começa e ainda não tem nome no mercado da música, mas nem tudo foi fácil… Ter que ir para Lisboa de comboio, até Santa Apolónia, sem conhecer ninguém, com uma malinha na mão e fazer o contrato ali mesmo na estação… Foi um dos momentos mais felizes da minha vida. Depois continuei a gravar e passei por algumas editoras.
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