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«Somos o melhor festival gastronómico do mundo»

Aveiro volta a receber o Chefs on Fire, que junta a «qualidade de um restaurante de topo» com a «informalidade de um churrasco de amigos»

O evento gastronómico Chefs on Fire está de regresso a Aveiro para «três dias inteiros de chefs a cozinhar no fogo ao som de grandes artistas». A quarta edição na cidade irá decorrer de 17 a 19, no Parque Infante D. Pedro. Conversámos com o mentor do projeto, Gonçalo Castel-Branco, da empresa Lohad, sobre o Chefs on Fire, sobre Portugal e sobre gastronomia

Diário de Aveiro: Disse nu­ma entrevista em 2025: «Temos um país lixado para os criativos. Está desenhado para te impedir de fazer coisas novas». Pensa assim porquê?
Gonçalo Castel-Branco: Porque qualquer tentativa de inovar em Portugal esbarra com uma cultura de apatia e crítica constante, que torna o sucesso muito difícil. A sensação que dá é que não compensa fazer - mais vale estar quieto - e esse instinto tem de ser combatido diariamente, senão o país não vai a lado nenhum.

Na sua página do LinkedIn escreveu que «o Chefs on Fire é uma anomalia em Portugal». O que quer dizer com isso?
Trata-se de um festival boutique num país com um tecido social e económico que empurra na direção dos eventos de grande escala e qualidade média. Portugal vive um paradoxo interessante: precisamos de produtos de qualidade internacional que atraiam público qualificado, mas nem o mercado nem a cultura local os consegue suportar.

A primeira edição do Chefs on Fire aconteceu em 2018. O que o levou a criar este conceito?
O Chefs on Fire nasceu, como a maior parte dos nossos projetos, de forma orgânica: um churrasco de família que foi crescendo até se tornar um dos maiores festivais do mundo. Na sua génese, o festival é muito simples: queremos desenhar uma experiência com a qualidade de um restaurante de topo, a informalidade de um churrasco de amigos e o ambiente de um festival de nível mundial.

Desde 2018 até hoje, de que forma o evento tem evoluído?
Temos crescido e aprendido muito, cultivando um público fiel que não perde uma edição. Hoje em dia, não tenho dúvida de que somos o melhor festival gastronómico do mundo.
Para onde poderá caminhar o Chefs on Fire no futuro?
Vamos continuar a conquistar o mundo, somando às geografias onde já estamos — Portugal, Madrid, Maldivas, Rio de Janeiro, etc. — novos episódios em São Paulo em 2027, e mais dois países em 2028 (que ainda não podemos revelar). O objetivo é sermos o maior festival de fogo do mundo até 2030.

O que distingue o Chefs on Fire de outros festivais gastronómicos?
A qualidade, o “look and feel” e a abordagem. Toda a gente que nos visita — de chefs a jornalistas de todo o mundo — identifi­ca esses três fatores como os nossos grandes traços distintivos.

O Chefs on Fire tem tido várias ações em Aveiro. Porquê Aveiro?
Porque temos tido a sorte de sermos recebidos pela cidade, pela Câmara Municipal de Aveiro e pelo Festival dos Canais, o que nos permitiu construir um público (quer local, quer turistas internos e externos que viajam de propósito para o evento) que reconhece esta experiência como o complemento perfeito à atividade fantástica daquele festival. O Chefs on Fire Aveiro é hoje um dos projetos mais bem-sucedidos da nossa coleção.

O que podemos esperar da edição deste ano?
Diria que há três pontos-chave: um recinto com maior capacidade para fazer face à procura crescente; a continuação da aposta nos melhores chefs e em bandas alternativas; e a existência de um ecrã para os nossos clientes que não dispensam os jogos do Mundial.

A gastronomia é bem tratada em Portugal?
Cada vez melhor — basta vermos os investimentos feitos no apoio a eventos, experiências e marcas distintivas, que nos posicionam como uma das maiores referências gastronómicas do mundo.

Chefes em destaque

O Chefs on Fire, com entradas pagas, levará 12 chefs a Aveiro: João Covas, Rita Magro, Aurora Goy, Lídia Brás, Duarte Eira, João Costa, Leonor Godinho, Márcio Silva, Maurício Varela, Arnaldo Azevedo, Francisco Quintas e Tiago Maio. Os cozinheiros apresentarão pratos criados especialmente para o evento, preparados no fogo e sem recurso a fogões ou equipamentos elétricos. Cachaço de bacalhau e estufadinho de tomate assado, yakitori à bairra­da, torricado de bacalhau e mousse de chocolate branco e lemongrass, nectarinas e rabanada são algumas das propostas da ementa. O festival conta ainda com uma programação musical composta por André Henriques, Batida DJ Set, Femme Falafel, Expresso Transatlântico, David Bruno e Da Chick DJ Set.

Julho 13, 2026 . 10:45

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