
Com 5 anos, já andava «com as mãos na terra a plantar feijão de trepar»
Estão logo à entrada deste «espaço único no país e no mundo», pensado desde o primeiro momento para ser «um instrumento didático e pedagógico», como Valdemiro Pereira referiu, por mais do que uma vez, enquanto nos fazia a visita guiada. São seis pistas e estão preparadas para “atletas gastrópodes” - entenda-se caracóis - competirem. E só por isto - asseguramos - vale a pena fazer uma viagem a este admirável mundo da diversidade, com cerca de um hectare de área, como a que fizemos não há muito tempo. Já para não falar no “Banco de Sementes” onde estão guardadas «mais de um milhar de variedades de plantas originárias de todo o mundo».
A nossa reportagem escolheu o Dia Mundial das Abelhas (20 de maio) para visitar a Quinta Biológica e Pedagógica “Aidos da Vila”, não fosse Valdemiro Pereira um apicultor “de mão cheia”, que faz questão de celebrar a data. Fá-lo «na perspetiva de um futuro mais sustentável» e tendo como lema “(Re)Aproximação do Homem à Natureza” há já oito edições.
Apiário de Monsanto “tem a mão” do economista
Foi também este economista de formação que, há mais de 50 anos, na altura em que trabalhou em Lisboa, instalou, «com o auxílio de um engenheiro botânico», um apiário no Parque Florestal de Monsanto. «Se for lá, vê as colmeias. Estão exatamente no mesmo sítio», contou o octagenário nascido em Vilarinho do Bairro, freguesia do concelho de Anadia, precisamente onde agora tem a sua “quinta do coração”, na Rua da Vila. «[Aliás] o nome “Aidos da Vila” vem daí», explicou-nos, apontando para o local onde há mais de oito décadas nasceu. «Nasci mais ou menos ali, no meio daquelas árvores. Tínhamos uma casa velha, de adobe», partilhou enquanto caminhávamos, fazendo questão, igualmente, de nos mostrar o cantinho que é uma espécie de “memorial” onde, com apenas 5 anos, já andava «com as mãos na terra a plantar feijão de trepar e a ajudar nas regas». «Sou um filho da terra e também um “filho da mãe”, porque, no fim de contas, tenho geneticamente muitas coisas da minha mãe [risos]», afirmou.
Ao som do chilrear dos pássaros e também do zumbido das abelhas, cujas colmeias estão instaladas no chamado - imagine-se - “Carreiro da(s) morte(s)”, com o ladrar do cão à mistura, fomos “passito a passito”, para poder desfrutar, mesmo, de tudo o que nos rodeava, em direção à “Hortinha das 4 Estações”, um dos locais mais visitados da Quinta Biológica e Pedagógica quer por miúdos (sobretudo alunos de escolas, a quem se ensina a semear culturas), quer por graúdos. Volta e meia lá parávamos à sombra de uma árvore, porque “o calor apertava”. E isto tudo antes de termos passado pela “eira-auditório”. «Tem este nome», esclareceu, «porque está lá já um palanque para se preparar uma canção ou uma música que, exatamente, se possa emparelhar com a temática da semente. Já ando a preparar isto há muito tempo, simplesmente os músicos acabam por não vir cá».
Aos 84 anos «ainda há muito a fazer»
Enquanto viveu na capital, Valdemiro Pereira teve «três profissões em simultâneo». «Estava ligado à administração de grandes empresas, à atividade seguradora e ainda à apicultura», lembrou, deixando transparecer uma “pontinha” de orgulho e, ao mesmo tempo, de emoção. Até porque “recordar é viver”, já cantava Victor Espadinha.
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