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Mesmo vivendo na cidade estão “ligados à terra”

Em São João da Madeira há quem tire férias para «cavar terra» e também quem não prescinda dos sabores do campo. A nossa reportagem foi ao encontro dos hortelões sanjoanenses

Fomos até São João da Madeira, conhecido por ser o concelho mais pequeno do país em termos de área, mas também pelo dinamismo industrial. Ao longo de cerca de 8 km2, não obstante haver parques verdes, jardins, canteiros e até rotundas ajardinadas que, sobretudo, no tempo das tulipas atraem gentes de outras paragens a São João da Madeira, a indústria sobressai pelo número de empresas, mas também pela sua vitalidade e criatividade. Não é por acaso que o programa Turismo Industrial, criado há 14 anos pela autarquia, é hoje uma referência nacional e internacional.

Acontece que, desta vez, não foi por este motivo que a nossa reportagem se deslocou àquele município situado mais a norte do distrito de Aveiro. Desta feita, o nosso jornal foi ao encontro dos hortelões sanjoanenses, daqueles que, mesmo vivendo na cidade, fazem questão de estar “ligados à terra”. Aqui há quem tire férias para «cavar terra», como é o caso de Paula Oliveira, que, por altura da Páscoa, marcou dois dias de férias, juntamente com o marido, Sandro Pinto, para “amanhar a terra”. Passaram, imagine-se, «dia e meio a cavar».

 

Hortas comunitárias  em três locais da cidade

Combinámos encontro com esta hortelã, de 44 anos, na Horta Comunitária da Mamoinha, na Mourisca, onde o casal cultiva seis dos 99 talhões que foram ali construídos pela câmara municipal tendo em vista a valorização ambiental e urbanística daquela zona. Tanto esta horta urbana como a localizada na Rua Vale do Vouga, em Fundo de Vila/Orreiro, “colada” à Linha do Vale do Vouga, foram criadas para promover «práticas agrícolas sustentáveis e o fortalecimento da cidadania, oferecendo aos munícipes a oportunidade de cultivarem, de forma biológica, produtos hortícolas e frutícolas, num processo que promove também a convivência e a partilha entre os utilizadores» (ver caixa). Para além desta, há uma outra na Rua S. João de Brito, nas imediações do Parque de Nossa Senhora dos Milagres, que ainda não está a funcionar, mas que, à semelhança da da Mourisca, faz parte do projeto “Da Terra à Terra”, levado a cabo no âmbito do Plano de Ação das Operações Integradas em Comunidades Desfavorecidas do Território de Intervenção da AMP Sul (PAOITI).

De acordo com o que nos adiantou a câmara, a ação de regeneração dessas áreas incluiu a preparação dos terrenos para cultivo, a modelação do solo para acessos e pavimentação, a instalação de equipamentos, a plantação de espécies vegetais que atraem insetos auxiliares e polinizadores ao mesmo tempo que repelem pragas, melhorando o estado fitossanitário das plantas e a produtividade. «Estes espaços» - esclareceu a mesma fonte - «promovem uma alimentação saudável, uma vez que os alimentos produzidos não requerem o uso de produtos químicos. Complementarmente, representam uma mais-valia para a economia doméstica, comparando o custo de aquisição de sementes/plantas, a quantidade produzida e o custo de aquisição dos produtos disponíveis nos supermercados».

Ainda conforme informou a edilidade, no âmbito deste projeto, têm sido realizadas ações - teóricas e práticas - de sensibilização e capacitação em agricultura biológica e compostagem comunitária, além de terem sido distribuídos materiais informativos.

 

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Julho 9, 2026 . 18:00

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