
Alunos da Feira avaliaram refeições escolares e querem mais frango estufado com massa
– Um inquérito aos 2.895 estudantes que almoçam nas 13 cantinas e cafetarias escolares do concelho de Santa Maria da Feira demonstrou algum desagrado quanto a peixe, mas apontou frango estufado com esparguete como o seu prato preferido.
O relatório a que a Lusa teve hoje acesso foi desenvolvido por sugestão da equipa do projeto Jovem Autarca, que elege alunos para defenderem os interesses dos colegas de todos os estabelecimentos de ensino nesse município do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto, e reuniu 7.088 inquéritos sobre refeições aleatórias servidas no ano letivo que agora termina – amostra que integra as cantinas internas de 11 escolas do 2.º Ciclo até ao Ensino Secundário e as cafetarias de duas escolas profissionais.
Nessa avaliação coletiva, a Escola Básica de Argoncilhe foi a que teve pior resultado, obtendo apenas 15% de índice de satisfação entre 574 inquiridos, que foram particularmente críticos no dia em que a cantina lhes propôs sopa de couve-flor com grão-de-bico, bolonhesa de soja, salada de alface, couve roxa e cebola, e fruta da época. Os comentários diziam que “a carne tinha um sabor estranho" ou “horrível” e que “a massa estava mais ou menos boa, mas com bastante óleo”.
Seguiram-se, no ranking negativo, a EB Corga de Lobão e a EB António Alves de Amorim, em Lourosa, respetivamente com 26% e 30% de satisfação, entre 583 e 1.102 inquéritos.
Em Lobão, a ementa com pior avaliação foi a mesma que gerou desapreço em Argoncilhe, porque “a salada não estava temperada” e “a comida e a sopa vieram sem tempero”. Já em Lourosa, o 'feedback' mais negativo foi no dia em que a cantina propôs sopa de couve, bacalhau fresco com batata cozida e ovo, arroz de vegetais, salada e fruta. A sopa foi o que desagradou mais, mas os críticos também atacaram o peixe, que “estava com muito pouco sal, pouco ovo e com batatas que pareciam cruas de tão duras”.
Os alunos mais agradados, por sua vez, foram os da Escola Básica e Secundária de Arrifana, que atingiu os 85% de satisfação entre 576 avaliadores, seguindo-se os da EB de Milheirós de Poiares, com 84% entre 447 inquiridos, e os da Básica e Secundária de Paços de Brandão, com 70% entre 884.
No primeiro caso, a ementa com melhor resultado incluía sopa de cenoura e couve-flor, lentilhas refogadas com esparguete, salada de tomate, courgette e couve roxa, fruta e o tal apreciado frango estufado com esparguete salteado. "Estava muito bom, devem fazer mais vezes este prato", disseram no inquérito.
Em Milheirós, a ementa mais apreciada foi a mesma e originou idêntico agrado: “A comida foi muito boa”, disseram uns; “gostei muito da sopa e o frango também estava muito bom”, realçaram outros.
Em Paços de Brandão, por sua vez, a nota mais alta foi para o almoço com sopa de espinafres, arroz de atum, lentilhas estufadas com arroz, salada de alface, couve roxa e pepino, e fruta, após o que os comentários até realçaram a qualidade regular das ementas: “A comida tem sido bastante boa”, “muito saudável e saborosa”.
Para a vereadora da Educação na Câmara da Feira, Beatriz Silva, o aspeto mais positivo deste estudo de opinião é que constitui “um excelente exemplo da participação ativa dos jovens do concelho e do envolvimento da comunidade educativa local”.
Defendendo que o balanço geral é que “os alunos estão globalmente satisfeitos” com as refeições confecionadas pelas cantinas das suas escolas, a autarca social-democrata também valoriza, contudo, as críticas: “Encaro as avaliações menos positivas como uma oportunidade clara de melhoria. São objetivas e apontam aspetos concretos, como o tempero, a confeção ou a aceitação de determinados pratos”.
Beatriz Silva identifica, aliás, “a existência de um estigma em relação aos pratos de peixe e às opções vegetarianas”, o que diz influenciar negativamente a avaliação das refeições com esses ingredientes, “independentemente da respetiva qualidade nutricional”.
“As avaliações recolhidas revelam, assim, um grande desafio cultural e educativo para o Município, permitindo identificar padrões de consumo alimentar inadequados nas escolas, associados a situações de iliteracia alimentar”, afirma a vereadora. “Esta informação é fundamental não só para ajustarmos práticas, trabalharmos com os fornecedores e melhorarmos a qualidade do serviço prestado, mas também para reforçarmos estratégias de educação alimentar junto da comunidade escolar”, conclui.












