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Aumento de pessoas sem médico de família em Portugal atinge 66 mil

Região de Lisboa lidera com mais de 1,16 milhões de utentes sem médico enquanto o Norte mantém números abaixo de 100 mil

O número de pessoas sem médico de família aumentou em 65.805 nos primeiros cinco meses de 2026, passando de 1.601.018 em janeiro para 1.666.823 em maio, segundo dados do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A região de Lisboa e Vale do Tejo concentra a maioria dos utentes nesta situação, com 1.165.496 pessoas à espera de médico de família em maio, mais cerca de 35 mil face a janeiro. Em contraste, no Norte, o número de pessoas sem médico de família não ultrapassa as 100 mil.

Setembro de 2019 foi o mês dos últimos dez anos com menos pessoas sem médico de família, totalizando 641.228, o que representa cerca de um milhão menos do que em maio deste ano.

O número de inscritos nos cuidados de saúde primários aumentou em 53.483 entre janeiro e maio, passando de 10.746.324 para 10.799.807. Contudo, o número de pessoas com médico de família atribuído diminuiu ligeiramente, de 9.133.697 para 9.121.566, uma redução de 12.131 utentes.

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, justificou o aumento do número de pessoas sem médico de família com o crescimento dos registos no SNS, afirmando que o serviço público de saúde está a demonstrar ter "elasticidade". "Temos todos os meses novas inscrições de utentes residentes em Portugal (...). Naturalmente que, quando nós percebemos que temos mais um milhão e meio de pessoas em Portugal do que tínhamos há cinco anos, compreendemos que a elasticidade que o SNS tem de ter é muito grande. É quase, eu diria, de ser feita de forma muito rápida", declarou.

Num relatório sobre a sustentabilidade do SNS divulgado recentemente, o Conselho das Finanças Públicas alertou que o aumento de pessoas sem médico de família ocorre num "contexto particularmente relevante" de envelhecimento da classe médica na especialidade de medicina geral e familiar.

O conselho salientou que "o previsível aumento das aposentações poderá, assim, agravar as restrições no acesso aos cuidados primários", o que poderá repercutir-se nos serviços hospitalares, comprometendo a adequada referenciação dos doentes e induzindo o recurso direto às urgências hospitalares.

Em maio, foram abertas 2.500 vagas para médicos recém-especialistas no SNS, das quais 711 são para medicina geral e familiar, embora as colocações ainda não sejam conhecidas. Simultaneamente, o Governo abriu 332 vagas para zonas geográficas carenciadas, destinando 109 para especialistas de medicina geral e familiar.

Junho 30, 2026 . 19:00

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