
«A nossa estratégia sempre passou pela criação de uma Unidade de Saúde Familiar»
Diário de Aveiro: A remodelação e ampliação do centro de saúde é a maior obra prevista para este ano, com uma dotação de 2,2 milhões de euros, enquanto a construção da nova unidade de saúde de Talhadas tem uma dotação de 600 mil euros. Em que pé estão estes projetos?
Pedro Lobo: No caso da Extensão de Saúde de Talhadas, a obra foi adjudicada e já se iniciou. No caso do Centro de Saúde de Sever do Vouga, da requalificação e ampliação, já assinámos o contrato com a empresa e estamos à espera do visto do Tribunal de Contas para podermos assinar a adjudicação da obra. Aquilo que prevemos é que a obra se inicie no decorrer deste mês ou no início do próximo mês, com um prazo de execução de 365 dias.
Os valores base de ambos os projetos sofreram aumentos…
As obras foram lançadas várias vezes, os concursos ficaram desertos e fomos obrigados a subir o preço base. Só à terceira vez conseguimos arranjar concorrentes, quer para uma, quer para outra.
Os concursos desertos têm sido um grande problema para o executivo. A situação continua a impedir o avanço de projetos?
Isso é um problema geral do país e julgo que a tendência será para piorar. Ainda recentemente houve uma reunião do conselho regional da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR-C) e falámos da baixa taxa de execução do PT-2030, que encontrou no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) um concorrente. Neste momento, estamos no fim do PRR, a taxa de execução é baixa, também no nosso caso, precisamente porque tivemos muitas dificuldades, entre outros fatores, na contratação das empresas. A título de exemplo, no âmbito da tempestade Kristin, tivemos um muro da Estrada Nacional 16 que caiu, abrimos um concurso nacional e só tivemos um concorrente. Temos muitas obras para lançar, algumas de grande dimensão, e preocupa-nos o facto de estarmos permanentemente com concursos desertos. Nem sequer se trata de uma questão de suborçamentação, colocamos os valores que achamos justos, até com alguma margem, e não há concorrentes.
O concelho tem conseguido fixar médicos no território?
No passado dia 17 tivemos a primeira reunião com a nova direção da Unidade Local de Saúde (ULS) da Região de Aveiro, juntamente com os restantes presidentes de câmara que são abrangidos pela ULS e membros da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA). Em Sever do Vouga, temos a felicidade de dizer que toda a gente tem médico de família. Neste momento, há oito médicos em Sever do Vouga e quando entrámos havia três. Apesar disso, aquilo que verificamos é que as pessoas continuam a não conseguir arranjar consultas. É um dos assuntos que vamos debater com a atual administração e de que temos falado com a nova coordenadora do Centro de Saúde de Sever do Vouga, a doutora Ana Laura, por forma a solucionarmos este problema. O modelo que temos, que é o modelo de Unidade de Cuidados de Saúde Primários, não alicia, por um lado, a fixação de médicos e, por outro lado, o desenvolvimento de um trabalho mais eficaz por parte dos médicos. O modelo que queremos implementar aqui - e para isso entendemos ser fundamental a requalificação e ampliação do Centro de Saúde de Sever do Vouga e a construção da extensão de Talhadas -, é o modelo de Unidade de Saúde Familiar do tipo B. Nesse modelo, todos os que, desde secretários clínicos aos enfermeiros e médicos, se proponham ao estabelecimento dessa unidade, devem cumprir uma série de indicadores. Isso implica o cumprimento de uma série de objetivos e, assim que os cumpram, é criada a unidade e os médicos gozam de um ordenado muito diferente e isso torna-se muito mais atrativo. Portanto, a nossa estratégia sempre passou pela criação de uma Unidade de Saúde Familiar. Da parte da organização do nosso centro de saúde há esse interesse em avançar e cabe-nos a nós dar as condições físicas para que tal se possa realizar o mais depressa possível.
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