
Confraria luta há dois anos pela defesa do arroz de Estarreja
Prestes a completar dois anos de existência, a Confraria do Cultivo do Arroz de Estarreja (CCAE) tem razões para acreditar que o seu trabalho pode fazer a diferença na defesa de um produto identitário do concelho. «É uma missão difícil, mas tem valido a pena», resume José Alberto Marques, o chanceler-mor.
O carolino de Estarreja, produzido em Canelas e Salreu, enfrenta várias dificuldades. É, desde logo, um produto pouco conhecido. «Grande parte da população não sabe que existe arroz em Estarreja», assume o responsável, dizendo que «acham que a produção acaba no Mondego». Por outro lado, o setor está hoje reduzido a um pequeno número de orizicultores, pondo em perigo a própria sobrevivência de uma atividade que chegou a ser o sustento de centenas de famílias da região. Atualmente, dos campos agrícolas estarrejenses não são extraídas mais de 50 ou 60 toneladas de arroz por ano, nota José Alberto Marques, reivindicando mais apoios para os produtores. A atividade da confraria, diz, funciona como «pressão» para dotar o setor de melhores condições.
Criada em julho de 2024, a instituição tem sede na antiga fábrica de descasque de arroz, convertida pela câmara em museu evocativo da atividade e que tem conseguido «atrair muita gente» e dar visibilidade ao setor.
Visibilidade que a confraria, que conta com cerca de 60 elementos, também garante com as iniciativas que promove ou em que participa. Ainda agora, a pretexto do 10 de junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, a instituição estarrejense marcou presença num evento solidário realizado pela Confraria Gastronómica dos Sabores Portugueses (CGSP), no Luxemburgo, tendo sido servido arroz doce a famílias carenciadas daquele país europeu.
«As confrarias têm um grande potencial na divulgação de toda a nossa riqueza», sublinha Isabel Ferreira, grã-mestre da CGSP e radicada no Luxemburgo há 24 anos, «e a Confraria do Arroz é um bom exemplo».











