
Morreu o cantautor da canção “Se eu fosse um barco de Aveiro”
Professor, poeta, ator, declamador, encenador e editor, Paulo Jorge Barreto Gonçalves Moreira deixou uma marca indelével na literatura e no teatro do Algarve, de onde eram naturais os seus pais, mas também marcou, sobremaneira, Aveiro. Na cidade aveirense, entre 1988 e 1995, viveu e estudou - período durante o qual teve também uma passagem pela música como cantautor. Aliás, é, precisamente, o cantautor da canção “Se eu fosse um barco de Aveiro”, um êxito académico de Aveiro nos anos 87-92, que viria a integrar o repertório tradicional da região.
Paulo Moreira nasceu em Quelimane (Moçambique) a 7 de maio de 1962. Dadas as origens algarvias dos seus pais, a sua infância foi, pois, repartida entre África e o Algarve. Também no Sul do país, nomeadamente em Faro, concluiu os estudos secundários.
Entretanto, rumou ao Norte, concretamente até à “cidade dos canais”, para ingressar no ensino superior. Licenciou-se em Ensino de Física e Química e concluiu o mestrado em Supervisão da Formação de Professores pela Universidade de Aveiro. Fez também uma pós-graduação em Teatro e Educação pela Universidade do Algarve.
Ao longo da vida, foi docente no ensino secundário, nas áreas de Física e Química e de Expressão Dramática, mas também desenvolveu uma atividade artística diversificada, contemplando prosa, poesia, teatro, música e edição independente.
Foi ator e encenador profissional desde 1999 na ACTA - A Companhia de Teatro do Algarve, mantendo também uma presença regular como declamador de poesia.
No âmbito literário, Paulo Moreira publicou obras de ficção, poesia, teatro, microteatro e memórias. Entre os livros que escreveu contam-se "2 Santas em ½ hora" (2011), "Maria Manuel" (2013, com 2.ª edição em 2024), "Pessoa (s) em Cena" (2014), "Já Bocage Não Sou" (2014), "Curt’osContos" (2015), "Maternidade" (2017), "Canções" (2019), "dispersos" (2021), "Berlim em transe" (2022) e "Do Mundo e do Sexo" (2023).
A sua obra passou também por diversas antologias e publicações coletivas, incluindo a "I Antologia de Escritores de Albufeira", "7 Contos Ilustr.s", "Azulejo vestido com centáureas - Azulejo chabrem ubrane", "Tapa-Esteiro", "slash forward" e a "Antologia I Encuentro Hispanoluso de Literatura, Música, Pintura y todo lo demás… Al Sur…, en lamarisma”.
Paulo Moreira foi ainda membro fundador do coletivo literário algarvio Espúria, responsável por eventos e publicações, e dirigiu a chancela editorial independente “Edições Anónimas”. Recebeu distinções em prémios literários e colaborou, ao longo dos anos, em revistas, jornais, fanzines, agendas municipais e publicações especializadas, com textos nas áreas da literatura, teatro, música, cinema e ciência. Entre os seus trabalhos contam-se ainda artigos sobre Stanley Kubrick, Mozart, a história do “Barco de Aveiro” e publicações científicas em coautoria.
A sua ligação ao teatro algarvio foi igualmente salientada em obras como "Meio Século de Teatro no Algarve", de Ana Cristina Oliveira, que lhe dedica a secção “Paulo Moreira - A nova geração de encenadores algarvios”, e "À Conversa com…", de Isabel do Valle, onde surge numa entrevista enquanto «ator, encenador e professor».
Paulo Moreira faleceu aos 63 anos de idade, no passado domingo. Entre as muitas homenagens póstumas que lhe têm sido prestadas nas redes sociais destacamos a de Nuno Campos Inácio. O editor algarvio, historiador e genealogista escreveu que, com a partida de Paulo Moreira, «o mundo fica mais monocromático».











