
UA tem um teatro onde cadáveres são “atores principais”
O acervo do Teatro Anatómico Egas Moniz, infraestrutura do Departamento de Ciências Médicas (DCM) da Universidade de Aveiro (UA) inaugurada a 17 de setembro de 2025 no Edifício da Saúde, conta já com cinco cadáveres, incluindo de recém-nascidos, que foram doados para “ensinar a salvar” - dois deles por uma outra universidade do país, que estão já a ser utilizados «quotidianamente no processo pedagógico», e os restantes «por particulares, pessoas da sociedade civil».
Divulgação feita em parceria tem dado “frutos”
Note-se que as três últimas doações são resultado de «um trabalho de divulgação» do Programa de Doação do Corpo à Ciência da UA e, em particular, da campanha de sensibilização “Doar para Ensinar a Salvar”, que tem vindo a ser feito não só junto da sociedade civil, mas também em articulação com as unidades locais de saúde (ULS) parceiras, que, tal como a UA, também integram o Centro Académico Clínico Egas Moniz Health Alliance, nomeadamente as ULS da Região de Aveiro, Entre Douro e Vouga, Gaia/Espinho e Matosinhos. Muitas vezes, como nos contaram, «o utente, na consulta, no internamento, no serviço de urgência, manifesta a sua vontade de doar o corpo a um teatro anatómico».
Aquando da nossa visita, Miguel Pais Vieira, professor de Anatomia e coordenador do Programa de Doação do Corpo à Ciência da UA, «estava numa área [do Teatro Anatómico], que também é utilizada como sala de aula», com um cadáver de um adulto que «foi recebido logo após o arranque do Teatro Anatómico». Estava «a executar uma dissecção cadavérica». Ou - como nos explicou o diretor do Mestrado Integrado em Medicina, que também estava presente na ocasião - encontrava-se «a remover porções da pele, mas também alguns segmentos de músculo para se poder expor para o ensino as estruturas mais profundas». Segundo Firmino Machado, «todos os cadáveres, quando são recebidos, começam por ser testados para a existência de alguma doença transmissível». «Só podemos recebê-lo formalmente se não tiver nenhuma doença transmissível, sob o risco de poder transmiti-la aos estudantes, docentes e investigadores», esclareceu, prosseguindo: «Depois disso, ele é fixado em formol (o processo de fixação é feito quimicamente para evitar a decomposição e a degradação ao longo dos anos e ao longo da sua utilização). E, entretanto, tem início o processo de dissecção».
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