
Escola Superior de Saúde celebra Dia da Reabilitação Respiratória
O Laboratório de Investigação e Reabilitação Respiratória (Lab3R) da Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro celebrou mais um Dia Nacional da Reabilitação Respiratória, no passado dia 21, com a realização de uma sessão de exercício ao ar livre, aberta à comunidade.
«Esta iniciativa teve como objetivo dar a conhecer, de forma prática, uma das componentes da reabilitação respiratória, bem como sensibilizar para as doenças respiratórias crónicas e para a importância do acesso a esta intervenção, essencial para melhorar o dia a dia de quem vive com estas doenças», escreve a instituição, em comunicado.
A reabilitação respiratória é uma intervenção não-farmacológica, multicomponente e interprofissional que inclui, no mínimo, uma avaliação detalhada da pessoa, treino de exercício físico, educação e apoio psicossocial, com o objetivo de melhorar a função física e psicossocial, bem como a qualidade de vida das pessoas com doença respiratória. Os seus benefícios são muito significativos: mais de 80 por cento das pessoas melhoram a capacidade para caminhar e realizar as atividades do dia a dia, e cerca de 60 por cento apresentam melhoria nos sintomas e na qualidade de vida.
Durante uma agudização (crise respiratória) tratada em casa, as pessoas com doença respiratória crónica que realizam reabilitação respiratória podem melhorar até dez vezes mais os seus sintomas, como a fadiga, a falta de ar e a tosse, assim como a sua capacidade física para realizar as atividades do dia a dia, quando comparadas com pessoas tratadas apenas com medicação, sem efeitos negativos adicionais. «Hoje sabe-se também que a reabilitação respiratória reduz o número de crises respiratórias e de hospitalizações, além de aumentar a sobrevivência. Esta intervenção traz ainda benefícios para a família, ao ajudá-la a desenvolver estratégias práticas, emocionais e sociais para lidar melhor com a doença», lê-se também.
Ainda assim, de acordo com a instituição, menos de 0,5 por cento das pessoas que poderiam beneficiar da reabilitação respiratória têm atualmente acesso a esta intervenção. «Ao longo dos últimos 15 anos, o Lab3R tem contribuído para demonstrar cientificamente os seus benefícios, defendendo o aumento do acesso em múltiplos contextos, nomeadamente hospitalar, comunitário e domiciliário, e através de diferentes modelos, presenciais, “online” e híbridos, de acordo com as preferências e necessidades das pessoas com doença respiratória», lê-se.
Recentemente, o Lab3R demonstrou que, em Portugal, um programa de reabilitação respiratória com a «duração de 12 semanas pode custar apenas 650 euros por pessoa». Mesmo num centro especializado, hospitalar ou não, o custo «não ultrapassa os 1.300 euros por pessoa». Desta forma, explicam, 12 semanas de tratamento podem custar menos do que um único dia de internamento hospitalar.
Em média, cada pessoa com doença respiratória crónica tem uma a duas agudizações respiratórias por ano, que resultam em pelo menos um internamento hospitalar com duração entre cinco e dez dias. «Sabendo-se que a reabilitação respiratória pode prevenir cerca de 50 por cento das agudizações e dos internamentos hospitalares e aumenta a sobrevivência, torna-se difícil compreender o acesso tão reduzido a esta intervenção», escrevem, sublinhando que a reabilitação respiratória deve ser uma «prioridade» de investimento.











