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Morreu historiador Diogo Ramada Curto, diretor da Biblioteca Nacional

O Ministério da Cultura refere que o historiador estava à frente da Biblioteca Nacional de Portugal desde 2024, onde exerceu funções "com dedicação, competência e sentido de serviço público"

O diretor-geral da Biblioteca Nacional de Portugal, o historiador Diogo Ramada Curto, morreu este sábado, indicou o Ministério da Cultura, salientando que a sua obra e pensamento constituem "um legado incontornável" para a memória coletiva dos portugueses.
"Enquanto historiador, investigador e ensaísta, deu um contributo marcante para o estudo da história de Portugal e para o debate público sobre a cultura e a identidade do país", lê-se numa nota divulgada no sábado à noite pelo Ministério da Cultura.
A notícia da morte do historiador Diogo Ramada Curto, aos 66 anos, foi avançada pela edição 'online' do Expresso também no sábado à noite.
Na nota divulgada, o Ministério da Cultura refere que o historiador estava à frente da Biblioteca Nacional de Portugal desde 2024, onde exerceu funções "com dedicação, competência e sentido de serviço público".
"A sua obra e o seu pensamento, expressos em dezenas de livros, artigos e intervenções, constituem um legado incontornável para a nossa memória coletiva", refere o ministério.
Em nome do Governo, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, endereça à família e aos amigos de Diogo Ramada Curto "as mais sentidas condolências, neste momento de luto".
Diogo Ramada Curto nasceu em Lisboa, em 1959. Foi nomeado diretor-geral da Biblioteca Nacional de Portugal em abril de 2024.
Professor catedrático no Departamento de Estudos Políticos da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-Nova), onde se licenciou em História, doutorou em Sociologia Histórica e lecionou nos departamentos de Sociologia e História, Ramada Curto foi também professor visitante em diferentes instituições de ensino superior, como a École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, França, a Universitat Autònoma de Barcelona, em Espanha, a Brown University e a Yale University, nos Estados Unidos, e a Universidade de São Paulo, no Brasil.
Entre 2000 e 2008, ocupou a Cátedra Vasco da Gama em História da Expansão Europeia do Instituto Universitário Europeu, em Florença.
O seu trabalho de investigação foi desenvolvido três áreas – cultura escrita e intelectual, impérios e colonialismo, e cultura política –, somando dezenas de títulos e artigos dedicados a temas como globalização, história global e história dos impérios, história das ideias políticas, história da escravatura ao trabalho forçado, assim como a abordagem do livro e da leitura, na perspetiva da Sociologia Histórica.
Entre as suas mais recentes obras estão "Um país em bicos de pés - Escritores, artistas e movimentos culturais" (Edições70, 2023), com que venceu o Prémio de Ensaio Jacinto do Prado Coelho da Associação Portuguesa dos Críticos Literários, em 2024, e "O colonialismo português em África - De Livingstone a Luandino" (Edições70, 2020).
Em 2014, foi distinguido com o Prémio PEN Clube na categoria de Ensaio com o livro "Para que serve a história?" (Tinta da China, 2013) e, em 2015, com o Prémio Jabuti (coletivo) atribuído à obra "O Brasil colonial" (Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2014).
Entre as obras de Ramada Curto contam-se igualmente "Políticas coloniais em tempo de revoltas - Angola circa 1961", em coautoria com Teresa Furtado e Bernardo Pinto da Cruz (Afrontamento, 2016), "Cultura imperial e projectos coloniais, séculos XV-XVIII" (Campinas, Unicamp, 2009), e "Bibliografia da História do Livro em Portugal" (BNP, 2005).
Foi cofundador e diretor da coleção "Memória e Sociedade" da antiga editora Difel, que somou quarenta títulos de história e ciências sociais entre 1988 e 2005, e de "História e Sociedade", nas Edições70 do Grupo Almedina, com 24 títulos, desde 2010, com Nuno Domingos e Miguel Jerónimo. Foi coorganizador de "A Expansão Marítima Portuguesa. 1400-1800" (Edições70, 2010).

Abril 12, 2026 . 12:00

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