
Câmara disposta a pagar um quarto da reabilitação da Ponte do Vouga
O presidente da Câmara de Águeda, Jorge Almeida, disse ontem ao Diário de Aveiro que a autarquia está disposta a financiar em 25 por cento o custo de reabilitação da antiga Ponte do Vouga, cuja construção original data do séc. XIII, respondendo a uma intervenção de Luís Seabra Lopes, um professor associado do Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática da Universidade de Aveiro, numa conferência na Academia Portuguesa da História sob o tema “Ponte de Vouga: Símbolo da Região de Aveiro” - a intervenção pode ser visualizada no canal Youtube no endereço https://www.youtube.com/watch?v=8vaMXl60qyY.
Esta abertura da autarquia para financiar uma parte do custo de uma intervenção é nova, já que nunca se tinha disponibilizado para avançar com um passo destes. Contudo, Jorge Almeida ressalva que o resto, 75 por cento, terá de ser conseguido, se for possível, através da concessão de verbas comunitárias dedicadas ao apoio a projetos culturais. De resto, o presidente da autarquia avisa que a reabilitação deverá custar «muito mais do que dez milhões de euros».
Um dos pilares da ponte ruiu há 15 anos, assim como a zona central do tabuleiro tendo sido, naturalmente, encerrada ao trânsito. A responsabilidade pela estrutura foi entregue à câmara, em 1996, mas já em 2002 a ponte encontrava-se em «estado lamentável», segundo o autarca .
Ao longo dos últimos oitocentos anos, a ponte que integrou a antiga “Estrada Real” Lisboa-Porto foi reconstruída várias vezes, recebeu obras de reparação, sendo a atual fase em que se encontra mais um dos períodos em que a circulação se encontra interrompida, não se vislumbrando uma intervenção a curto prazo. Está «abandonada há duas décadas e em ruína há 15», disse Luís Seabra Lopes na conferência sobre aquela antiga travessia do Rio Vouga, constituída por 16 arcos e 225 metros de comprimento, dimensão com que ficou após uma obra realizada em finais do séc. XVIII, em 1790, quando D. Maria I a mandou reconstruir, no âmbito da modernização da estrada Lisboa-Porto.
Apelos à recuperação
Além da abertura do procedimento de classificação de âmbito nacional, está ainda em curso uma petição pública «em defesa da reabilitação, valorização e salvaguarda da ponte», criada em fevereiro último, com 2.882 assinaturas, que apela à Assembleia da República, Governo, secretaria de Estado da Cultura e Direção Geral do Património Cultura para a urgência de uma intervenção para «reparar as cavidades e fissuras existentes nos pilares mais frágeis, minimizando assim o risco de novas derrocadas» e a «classificação como monumento nacional, facilitando assim o acesso a financiamento para a reabilitação integral e valorização patrimonial do imóvel».
A ponte, substituída pela ponte do IC 2, em 1984, integra a história de Portugal. Situa-se junto a um antigo povoado lusitano-romano, tendo sido encontrados vestígios desde o neolítico, perto do antigo castelo do Marnel, importante posto avançado do reino de Leão, teve importância militar durante as invasões francesas, e, em 1811, esteve sob risco de demolição como medida de defesa da cidade do Porto.











