
Dia Mundial do Sono: especialista da UA defende mais formação
A Universidade de Aveiro (UA) aproveitou o Dia Mundial do Sono, assinalado hoje, para dar voz a quem tem estudado estes problemas de saúde. Daniel Marques, professor do Departamento de Educação e Psicologia da UA e investigador na área do sono, defende mais formação para os profissionais de saúde, de modo a poderem responder mais eficazmente aos problemas de sono dos utentes.
O investigador salienta que os problemas do sono devem merecer destaque específico, tendo em conta a sua prevalência na população portuguesa, a pseudoinformação que abunda no seio da opinião pública e a exigência de maior eficácia nos cuidados clínicos. «Por exemplo, no rastreio durante consultas de Medicina Geral e Familiar e Medicina do Trabalho, é fundamental questionar sobre sono», salienta.
No caso específico da insónia crónica, o docente e investigador lamenta os excessos de automedicação, o uso indevido de alguns suplementos alimentares e a prescrição exagerada de benzodiazepinas, especialmente como tratamento de primeira linha. A intervenção a privilegiar deverá ser psicológica - a terapia cognitivo-
-comportamental para a insónia (realizada por psicólogos clínicos ou psiquiatras com formação especializada).
«A abordagem com benzodiazepinas pode inicialmente ser útil em certos quadros clínicos, mas tem um princípio, um meio e um fim, devido ao alto risco de dependência e tolerância», avisa Daniel Marques. Por outro lado, «ao contrário do que por vezes sucede, os pacientes devem ser informados dos prováveis efeitos adversos destes medicamentos, assim como das suas respetivas limitações», comenta.
Os estudos mostram que as patologias mais frequentes são a insónia e a apneia obstrutiva do sono, afirma o especialista, que fez parte da “task force”, em 2023, para revisão das Orientações Europeias para Diagnóstico e Tratamento da Insónia, iniciativa da European Sleep Research Society (ESRS, Sociedade Europeia da especialidade). Os problemas de insónia crónica afetam cerca de 12 por cento da população mundial, acrescenta.
«O foco deve estar na formação adequada dos profissionais de saúde e na disponibilização de informação fidedigna ao grande público baseada na melhor evidência científica. Há demasiada pseudoinformação a circular sobre sono. É muito importante contribuir para uma melhor literacia em saúde da população portuguesa e em saúde do sono, em particular», conclui o professor da UA.












