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Marchas feministas lembram que «a luta está longe do fim»

A cidade de Aveiro voltou a ser palco e participante ativa na afirmação da luta pela igualdade, com manifestações que denunciaram desigualdades ainda presentes na sociedade

Aveiro voltou a encher-se de vozes e cartazes este domingo, Dia Internacional de Mulher, com duas manifestações feministas que percorreram o centro da cidade. As iniciativas, promovidas por coletivos distintos, reuniram mais de duas centena de participantes e tiveram como objetivo celebrar conquistas históricas das mulheres, mas também alertar para as desigualdades e injustiças que persistem.

As marchas percorreram a Av. Dr. Lourenço Peixinho, uma das principais artérias da cidade, transformando-a num espaço de reivindicação, discursos e palavras de ordem em defesa da igualdade de direitos.

Uma das manifestações foi promovida pelo Movimento Democrático de Mulheres (MDM), através do Núcleo de Aveiro. A mobilização contou com mulheres, e homens, do distrito que deram o rosto à organização da iniciativa, representadas por Manuela Silva, da Direção Nacional do MDM, e Maria Candal, do núcleo distrital. Durante o percurso, o grupo acabou por reunir mais de uma centena de participantes que marcharam pelo coração da cidade.

«Nascemos para transformar»

O movimento alertava também para várias formas de violência que afetam as mulheres, desde a violência doméstica até à exploração laboral e à violência “online”, defendendo a necessidade de reforçar direitos sociais e serviços públicos. «Não nascemos para aguentar, nascemos para transformar», afirmavam.

Durante a concentração, Maria Candal lembrou que a igualdade plena ainda não foi alcançada. «E muita gente me pergunta: será que é mesmo preciso sair à rua e comemorar esta data? Mas vocês, mulheres, não alcançaram já os vossos objetivos? E a resposta, infelizmente, é não», afirmou.

No seu discurso, destacou várias desigualdades persistentes. «Estamos ainda muito longe de uma efetiva igualdade de direitos entre homens e mulheres. Continua a disparidade salarial. As mulheres continuam a receber menos do que os homens», disse, acrescentando que também subsiste desigualdade na distribuição das tarefas domésticas e na representação nos centros de decisão.

Para Maria Candal, os direitos conquistados ao longo das últimas décadas não podem ser considerados garantidos. «Não podemos dar por adquiridos os direitos que, com um enorme esforço e sacrifício, as nossas mães conseguiram assegurar», alertando, ainda, para discursos misóginos nas redes sociais e para o que classificou como uma crescente «masculinidade tóxica». «Por isso digo, a nossa luta está longe do fim. Por isso digo: sim, precisamos de continuar a lutar».

Dia da Mulher é dia de luta

Também o coletivo Aveiro Feminista promoveu uma marcha na cidade, convocada pelo segundo ano consecutivo. O encontro começou na estação ferroviária e seguiu, igualmente, pela Avenida Dr. Lourenço Peixinho até à Praça Doutor Joaquim de Melo Freitas, (Praça dos Arcos), onde decorreram discursos e intervenções artísticas até ao início da noite.

O coletivo definiu o dia como «um espaço vivo de resistência», convidando pessoas de todos os géneros a participar e a ocupar o espaço público. «Celebrar o Dia Internacional da Mulher como o que ele verdadeiramente é: um dia de luta», defendia o apelo divulgado antes da manifestação. No discurso realizado durante o evento, uma das intervenientes recordou as gerações que abriram caminho às conquistas atuais. «Esta é uma data histórica que relembra as lutas por direitos e conquistas das mulheres e o papel fundamental das mulheres na construção de sociedades mais justas», afirmou.

Apesar dos avanços alcançados, sublinhou que as desigualdades continuam presentes. «A violência machista continua a agredir os nossos corpos e a matar tantas companheiras», disse, lembrando que no último ano foram assassinadas 24 mulheres em Portugal.

Durante a intervenção destacou, ainda, a necessidade de uma luta interseccional, que inclua diferentes grupos sociais. «É necessário usar as nossas vozes para reafirmarmos o nosso compromisso de lutar contra as diversas formas de violência cometidas contra todas as mulheres, pessoas LGBTQIA+, pessoas racializadas, pessoas migrantes e todas as pessoas em situação de vulnerabilidade», declarou para a multidão.

As manifestações terminaram com palavras de solidariedade e apelos à continuidade da mobilização feminista. «Enquanto não formos todos livres, ninguém será», afirmou.

Março 9, 2026 . 09:30

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