
Lídia Jorge distinguida com o Prémio Pessoa 2025
A escritora Lídia Jorge, uma das figuras centrais da literatura portuguesa contemporânea e Doutora Honoris Causa pela Universidade de Aveiro (UA), é a vencedora do Prémio Pessoa 2025. Considerado a mais importante distinção atribuída em Portugal, o Prémio Pessoa reconhece anualmente personalidades portuguesas que se tenham destacado na vida científica, artística ou literária.
Na edição deste ano, o júri destacou a «escrita criativa» de Lídia Jorge, capaz de evocar «momentos históricos decisivos da vida portuguesa do último século», reafirmando o papel da autora como uma das vozes mais influentes da cultura portuguesa contemporânea.
Lídia Jorge recebeu o Doutoramento Honoris Causa da Universidade de Aveiro em dezembro de 2024, numa cerimónia que sublinhou a relevância humanista e literária da sua obra. Durante a sua intervenção, a escritora refletiu sobre a importância da literatura no mundo atual, descrevendo-a como uma «tábua de salvação» no «grande rio dos perigos da contemporaneidade». Alertou ainda para o risco de se falar de pós-literatura como sinónimo de pós-humanidade, afirmando que «literatura e humanidade são duas faces do mesmo rosto».
Num dos momentos mais marcantes do discurso, Lídia Jorge defendeu a confiança no papel humano da criação literária, numa clara tomada de posição face ao avanço das tecnologias. «Por isso, nós que aqui estamos, brandimos uma bandeira de confiança em nós próprios, numa altura em que, a cada dia que passa, mais e mais páginas ditas literárias, produzidas pelos Chats, vêm ter connosco e nos oferecem a imagem de uma falsa vida. O que significará, se assim continuarmos, que o inventor das palavras terá desistido da sua natureza humana, delegando num coração artificial o poder da sua invenção. Pelo contrário, apostando na nossa figura dupla de criaturas criadoras, estamos ainda todos do mesmo lado».
O percurso de Lídia Jorge tem sido amplamente distinguido ao longo das últimas décadas. Em 2023, conquistou quatro importantes prémios literários nacionais — Eduardo Lourenço, Urbano Tavares Rodrigues, PEN Clube Português (narrativa) e Fernando Namora, com a primeira obra escrita em língua portuguesa a vencer o Prémio Médicis.













