
Erradicar a pobreza energética em Portugal: um longo caminho a percorrer
Portugal ainda está distante de uma das metas definidas no país para 2050: a erradicação da pobreza energética, que afeta entre 1,8 a três milhões de pessoas no país. Os números são do Observatório Nacional da Pobreza Energética, que define o conceito como a «falta de acesso de um agregado familiar a serviços energéticos essenciais, quando tais serviços proporcionam níveis básicos e dignos de vida e de saúde». Estes serviços incluem o aquecimento, água quente, arrefecimento e iluminação adequados e a energia necessária para os eletrodomésticos.
Segundo dados do INE - Instituto Nacional de Estatística, em 2015, cerca de 23,8 por cento da população vivia em agregados sem capacidade financeira para manter a casa devidamente aquecida. No ano passado, volvida quase uma década, o número desceu para 15,7 por cento. Ainda assim, nem sempre se registou uma tendência de decréscimo ao longo dos anos, nomeadamente com a crise de preços do gás natural.
Em 2022, a pobreza energética em Portugal subiu 1,1 pontos percentuais em relação ao ano anterior, situando-se então nos 17,5 por cento. Em 2023, registou-se uma nova subida, desta vez mais acentuada, de 3,3 pontos percentuais, o que fez de Portugal, a par com o vizinho ibérico, um dos países da União Europeia com a maior percentagem de pobreza energética, de acordo com o relatório sobre o estado da União da Energia relativo a esse ano. O Luxemburgo, a Finlândia, a Eslovénia e a Áustria foram os países que registaram as percentagens mais baixas, com 2,1 por cento, 2,6 por cento, 3,6 por cento e 3,9 por cento, respetivamente.
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