
Motoristas da Auto-Viação Feirense marcam greve contra horários instituídos
Os trabalhadores da Auto-Viação Feirense anunciaram hoje uma greve na sexta-feira e dia 29 contra os horários do lote 4 da rede Unir, que os motoristas consideram serem «impossíveis de cumprir com segurança» e que importa corrigir «antes que aconteça uma desgraça». A medida foi decidida num plenário nas instalações da Feirense, em Lourosa, Santa Maria da Feira, com representantes dos cerca de cem motoristas que fazem os percursos entre Vila Nova de Gaia e Espinho na referida rede de transportes públicos da Área Metropolitana do Porto.
Segundo Hélder Borges, dirigente da Fectrans - Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, os horários existentes «não são compatíveis com circulação em segurança e o nível de limpeza e manutenção está um caos». O sindicalista explicou que um dos motivos para o agendamento da greve foi o de alertar para as atuais circunstâncias e fomentar a fiscalização das situações denunciadas.
Sobre os culpados pela situação, Hélder Borges aponta o dedo à Unir, que «estabelece os horários», e a Feirense, que «assume o compromisso de os cumprir» mesmo sabendo que não são viáveis. Entidades fiscalizadoras como «a Autoridade para as Condições do Trabalho e o Instituto de Mobilidade e Transportes também não estão a cumprir o seu papel como deviam, porque permitem que isto continue a acontecer», asseverou.
Como exemplos de rotas impossíveis de cumprir no trajeto anunciado, Hélder Borges aponta a viagem entre as Vendas de Grijó, em Pedroso, no extremo sul de Gaia, e a Praça D. João II, no Porto, ou o trajeto entre essa última e o Largo da Feira dos Carvalhos, também em Pedroso, pela Senhora do Monte. «A Unir quer que esses trajetos durem 30 minutos, mas, como os motoristas não conseguem fazê-los em menos de 40, na melhor das hipóteses, isso quer dizer que, a meio da manhã, dos quatro ou cinco horários previstos, um já desapareceu e foi suprimido», notou o porta-voz dos trabalhadores.
Além do atraso, há ainda a agravante de que «as pessoas estão na paragem à espera de um autocarro que não vai aparecer e depois, quando entram no próximo, se põem a “trocar galhardetes” com o motorista, que fica ainda mais em stress, chega ao fim do dia desfeito e só almoçou em meia hora quando devia ter tido 60 minutos de pausa», referiu. Pelas mesmas razões, também o nível de limpeza e manutenção dos autocarros «está muito mau», situação que se agrava com o começo do período de aulas.
Hélder Borges afirma que há outras questões para resolver no setor, como os salários baixos e o subsídio de refeição sem atualização há dois anos, mas diz que a prioridade é a segurança. Como solução, defendeu que a mais exequível é «a retificação dos horários, de forma a que se possa cumprir os limites de velocidade e conduzir com segurança».
Contactada pela Lusa, fonte oficial da Transportes Metropolitanos do Porto esclarece: «Não detetamos nenhum horário que seja impossível de realizar. Todos os tempos atribuídos são perfeitamente viáveis». Quanto às outras questões abordadas pela Fectrans, a Unir diz que lhes são «alheias», porque não tem «qualquer responsabilidade» nos horários de trabalho atribuídos aos motoristas nem na sobrecarga laboral que alegam. «É ao operador que compete atribuir as linhas a fazer por cada profissional e garantir a sua boa condição física e mental», disse a mesma fonte da Unir.
A Lusa tentou ouvir telefonicamente a Feirense, que é detentora da marca Beira Douro, que também opera para a Unir em Gaia e Espinho, mas as chamadas não foram atendidas.












