
Movimento cívico apela à união das autarquias na defesa da Linha do Vouga
Perante o silêncio de Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas e Habitação, aos seus pedidos, o Movimento Cívico da Linha do Vouga parte agora para uma carta aberta, dirigida a todos os presidentes de câmara servidos pela Linha do Vouga, nomeadamente Ribau Esteves, presidente da autarquia aveirense. Uma «melhoria geral das condições» daquela linha é o foco deste apelo, que quer defender a linha que liga Aveiro a Espinho, passando por Águeda, Albergaria-
-a-Velha, Oliveira de Azeméis, São João da Madeira e Santa Maria da Feira.
«Esta nossa linha passa junto a várias zonas industriais... no entanto, os comboios atuais circulam apenas entre as 6 e as 21 horas, o que não serve minimamente as necessidades de quem trabalha por turnos», acrescentando que «a CP justifica que alterar horários envolve mexer nas escalas dos maquinistas. Vimos por este meio pedir a vossa intervenção, em conjunto com os empresários e sindicatos da região, para que sejam elaborados novos horários que reflitam e acedam às necessidades impostas pela realidade atual dos horários de trabalho, para que os operários vejam cumprido o direito ao transporte previsto na constituição. Além disso, mais comboios e horários ajustados permitirá libertar as estradas de muitos carros, visto que esta é uma das regiões onde as pessoas mais estão dependentes do automóvel, o que não ajuda ao cumprimento das metas climáticas».
A favor da bitola estreita
O Movimento reconhece que um grande entrave à concretização deste apelo «prende-se com a falta de material circulante. Infelizmente, nos últimos anos, a discussão centrou-se em demasia na mudança da bitola da Linha do Vouga, algo que estamos convictos de que não é minimamente necessário. O que é necessário é a reposição da interface com a Linha do Norte, em Espinho, e a criação de uma nova com a futura linha de Alta Velocidade, no concelho de Santa Maria da Feira».
O serviço comercial diário «tem vindo a ser negligenciado, já que assistimos muitas vezes a atrasos e supressões que se devem, ora a avarias constantes do material circulante, ora a falta de revisores» afirma, considerando, ainda, que «a bitola estreita que muitos criticam acaba por ser uma mais-
-valia no que toca à aquisição de material circulante, visto que há linhas de bitola estreita na Europa e um pouco por todo o mundo, logo será muito mais fácil adquirir material».
Os atos de vandalismo que não têm poupado o material circulante desta linha não ficou de fora. «Sentimos que o combate ao vandalismo tem vindo a ser negligenciado, ora por parte da operadora que não procede à rápida remoção dos grafitis, ora por parte do próprio gestor da infraestrutura que não acautela os meios necessários para que tais atos possam ser minimizados».
Aplaudem a integração no sistema Andante do troço da Linha do Vouga que está inserido na AMP, no entanto consideram que «continua a faltar a modernização do sistema de bilhética com a implementação de máquinas automáticas».
Por último, apelam aos autarcas abrangidos pela Linha do Vouga para «que ajudem a replicar em toda a linha a iniciativa da Câmara de Águeda, que, junto com a IP e a CP, tem projetado a criação de novos apeadeiros e a relocalização de outros», pedindo que «se reúnam e discutam entre vós para que algo seja feito, de preferência, com a maior rapidez possível». |












