
Olivier Grossetête, o arquiteto de sonhos… de papelão
Diário de Aveiro: Há quantos anos se dedica a este projeto de construção comunitária?
Olivier Grossetête (artista francês): Já lá vão mais de 25 anos desde que comecei as primeiras construções. Mas não necessariamente com os mesmos resultados. No entanto, com a experiência melhorei um pouco.
O que o motivou a abraçar esta abordagem?
A primeira construção foi mudar a imagem de uma câmara municipal, acrescentando-lhe torres de cartão para a fazer parecer um castelo feito de “tralha”. Para isso, precisava de pessoas para a montar e chamei toda a gente que conhecia. O projeto funcionou mais ou menos bem porque a minha construção ainda não era muito sólida e estava muito vento. Mas muitas pessoas vieram espontaneamente dar-nos uma ajuda. Foi assim que tudo começou.
Encara-o como um projeto artístico?
Sim, correndo o risco de parecer pretensioso, considero-o um projeto artístico porque combina muitos aspetos. Questiona o espaço público, a arquitetura e os laços sociais. Com estas monumentais construções participativas em cartão, envolvendo a população na construção de estruturas efémeras, criadas especificamente para o espaço público em que se inserem, questiona-se a energia coletiva que nos impele a sonhar e a agir em conjunto, a formar uma sociedade em torno de um projeto, por mais utópico que seja. Em torno deste jogo de construção em tamanho real, entre performance, espetáculo de rua e trabalho plástico “in situ”, questiona-se o que faz um evento e como interagimos com ele. Todas as etapas, desde as oficinas até à demolição e à construção à mão, têm um sentido.
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