
Dupla efeméride nos Reencontros de Música Contemporânea
Hoje será um dia particularmente memorável para os Reencontros de Música Contemporânea (RMC), com o início de uma jornada de atividades que se prolonga de manhã à noite, numa celebração que combina pensamento, performance e homenagem.
Logo pela manhã, o Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro (DeCA-UA) acolhe, pela primeira vez em Portugal, o compositor italo-suíço Oscar Bianchi (Milão, 1975), que se encontra a colaborar com o grupo ars ad hoc, da associação Arte no Tempo.
A aula aberta, com início às 10h30, proporciona ao público um olhar aprofundado sobre a sua obra, marcada por texturas densas e uma cuidada dramaturgia sonora. O encontro serve também como antecâmara para a escuta do seu segundo quarteto de cordas, Pathos of Distance (2017–18), que será interpretado no concerto de encerramento dos RMC, no próximo domingo.
À noite, a programação continua no Teatro Aveirense, onde o saxofonista Luís Salomé sobe ao palco da Sala Estúdio, para um concerto que assinala o centenário de Pierre Boulez (1925–2016) e Luciano Berio (1925–2003). O programa inclui obras de ambos os compositores, refletindo a relação de respeito e cumplicidade que partilharam ao longo das suas carreiras.
À noite, Luís Salomé interpreta a Sequenza IXb, de Berio, numa versão para saxofone de uma peça originalmente escrita para clarinete e Dialogue de l’ombre double, de Boulez, dedicada precisamente a Berio. As duas obras dialogam entre si não só musicalmente, mas também através das referências partilhadas à manipulação eletrónica e à ideia de uma “sombra sonora”.
O concerto inclui ainda a estreia absoluta de “Je te donne ces vers afin que si mon nom” , do jovem compositor João Moreira (2004), inspirada na literatura francesa, e a obra Dé-coll/age, da compositora Inés Badalo (1989), completando um programa diversificado e exigente.












