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Ciclo de cinema “Das Cinzas” já arde no GrETUA

Programado por João Garcia Neto, o novo ciclo de cinema é uma viagem por diferentes geografias e culturas, com a intensidade do fogo sempre presente

Sandra Simões

Depois do ciclo de cinema que quis “Ensinar o Caminho ao Diabo”, e que encheu o GrETUA de cinema no quadrimestre anterior, segue-se agora o ciclo “Das Cinzas”, com filmes «que refletem um mundo em constante combustão, enaltecendo a materialidade da imagem e a intensidade das narrativas humanas», avançou ao Diário de Aveiro João Neto, diretor artístico do Grupo Experimental de Teatro da Universidade de Aveiro e programador dos ciclos de cinema.
Segundo explicou, este ciclo é também uma viagem por diferentes geografias e culturas, «dos solares do Douro ao universo espiritual do Laos, da periferia de Brasília à tranquilidade das montanhas galegas», considerando que «cada filme constrói uma paisagem própria, abordando as mudanças provocadas pelo fogo — literal ou me­tafórico — nos corpos, nas co­munidades e no imaginário».
Neste ciclo persiste o compromisso de mostrar cinema português, como acontece com os filmes “Mãos no Fogo” e “Mato Seco em Chamas” (produção luso-brasileira), «mas abrimos portas para alguns dos nomes mais importantes do cinema contemporâneo internacional: Apichatpong Weerasethakul e Lois Patiño».
Este responsável referiu, ainda, que a partir deste quadrimestre, «cada ciclo passa a incluir uma peça de videoarte, que fará companhia ao público no nosso “foyer”, meia hora antes e depois de cada sessão de cinema», sendo que para este ciclo foi convidado «um pelotão de soldados e um caracol que, com sua inabalável serenidade, reduz as armas de fogo à inutilidade. Falo da obra “Run Snail Run” (2023), de João Francisco Correia».
Em fevereiro, o público sentou-se à volta da fogueira para ver o filme “Mãos no Fogo”, de Margarida Gil. O próximo che­ga no dia 10, segunda-feira, e será “Mato Seco em Chamas”, (2022) de Joana Pimenta e Adirley Queirós. Uma obra que remete para Ceilândia, na periferia de Brasília, onde Léa, Chitara e Andreia têm um negócio muito particular: retiram petróleo a oleodutos da cidade, transformam-no depois em gasolina que vendem aos “motoboys” da área. Entre esta estrutura montada e o negócio da política, assim se conta a história das Gasolineiras de Kebradas.
É indicado para maiores de 14 anos, começa às 21 horas e os estudantes pagam 2 euros, enquanto que os restantes, 3 euros.
«Sentimos que estamos a criar uma verdadeira dinâmica cineclubista, expandido a experiência dos filmes para lá das projeções. O ciclo anterior correu muito bem e este abriu da melhor forma. Foi o primeiro evento dentro de portas deste ano e tivemos casa cheia», partilhou João Garcia Neto, em jeito de convite. |

Março 8, 2025 . 09:30

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