Aveiro: líder do CDS sugere avaliação cuidadosa da construção da ponte
Jorge Greno, líder concelhio do CDS, defende que a Câmara de Aveiro deve fazer uma avaliação muito cuidadosa das implicações financeiras da construção da ponte pedonal no canal central. “Apesar do custo efectivo para o município de Aveiro ser muito reduzido - desde que o orçamento seja cumprido, o que, em obra pública, normalmente não acontece - a questão que deve ser muito bem ponderada é a gestão dos escassos recursos financeiros disponíveis”, escreve o dirigente centrista no seu blogue (jorgegreno.blogspot.com).
O antigo vereador - no primeiro mandato que a coligação PSD/CDS cumpriu à frente da autarquia aveirense - mostra-se “favorável à construção da ponte”, mas diz estar ciente “que muita coisa mudou nestes dois anos, sobretudo na situação económica”.
Jorge Greno alerta que Élio Maia, presidente da Câmara, poderá ser penalizado nas próximas eleições autárquicas se insistir na construção da travessia entre o Rossio e o Alboi. O presidente da comissão concelhia do CDS evoca o caso de José Sócrates, anterior primeiro-ministro socialista. “Não passou ainda muito tempo desde que, e com o país em estado de pré-declaração de falência, alguém queria à viva força construir o TGV, utilizando exactamente o mesmo argumento: há fundos comunitários que pagam a maior parte do custo da obra, e por isso mesmo, deveremos avançar com ela a toda a velocidade. O resto da história é conhecida, houve eleições e esse visionário que a elas concorreu acabou por ganhar o direito a ir estudar para Paris, podendo assim usufruir de uma fantástica rede de TGV ao pé de casa”, refere.
Com “este exemplo ainda tão vivo na memória”, o líder democrata-cristão pede uma “ponderação muito cuidada de todos os investimentos”, mesmo aqueles que beneficiem de “grandes comparticipações”. Essa deve ser a “prioridade da Câmara”, sob pena de em próximas eleições autárquicas a actual maioria “poder vir a ter o mesmo fim de que o personagem que acima referi”.
“Muita gente
adormecida”
Jorge Greno realça, por outro lado, que “muita gente adormecida nos últimos anos acordou agora para dar a sua opinião”. “Uns andaram longe da cidade, mesmo estando cá todas as semanas, outros, mesmo estando cá todos os dias, estiverem ausentes ao longo de todo o processo, apenas acordando quando o estaleiro começou a ser instalado”, ajuíza.
“Compreendo que haja quem não pense como eu e que haja opiniões contrárias, motivadas por critérios estéticos, de planeamento ou de mobilidade, ou mesmo por apenas gostarem de ser do contra”, escreve ainda.
No seu último texto sobre a ponte pedonal, o ex-vereador recorda que sempre se manifestou a favor da construção, remetendo para um comentário publicado em Fevereiro de 2010. Nessa ocasião disse ser “inquestionável a necessidade de uma ligação entre o Rossio e o Alboi” e que “não restam alternativas” para a localização da travessia.
Nessa data, reconheceu que o projecto iria “mudar a imagem que todos temos do canal central”. “Mas é de mudanças que se faz a evolução das cidades e Aveiro tem de evoluir. E se a opção for pela estagnação, então talvez seja melhor construir uma réplica da Torre de Belém no Rossio, para que os nossos Velhos do Restelo tenham um local digno para manterem as suas discussões”.






