Aveiro: Ex-vereador critica “eliocentrismo” e sugere referendo sobre ponte
Miguel Fernandes, antigo vereador na Câmara de Aveiro, considera que os aveirenses devem ter a oportunidade de se pronunciarem em referendo sobre a construção da ponte pedonal no canal central. O antigo líder concelhio do CDS congratula-se com a adesão ao abaixo-assinado promovido pelo movimento cívico Amigos d’Avenida e refere que as 1.300 assinaturas já recolhidas “podem dar lugar facilmente” a uma consulta popular sobre o projecto.
A petição do grupo de cidadãos corresponde a um apelo à Administração da Região Hidrográfica do Centro para que a instituição liderada por Teresa Fidelis não emita a licença de utilização do domínio público marítimo.
Caso esta entidade “não seja sensível aos argumentos dos cidadãos assinantes”, os que protestam contra a ponte entre o Rossio e o Alboi devem desencadear o processo que conduza à convocação de um referendo, defende. “A lei prevê apenas cinco mil assinaturas para a convocação por iniciativa popular. Se os órgãos autárquicos não se mobilizam para ouvir os aveirenses sobre uma matéria tão importante como é o canal central (património urbano e histórico da capital da ria), então podem e devem os cidadãos mobilizar-se e peticionar à Assembleia Municipal a sua realização”, refere Miguel Fernandes.
Para o antigo vereador centrista, que abandonou o executivo em ruptura com as cúpulas da coligação PSD/CDS, “as instituições democráticas devem estar ao serviço dos cidadãos e não de ‘eliocentrismos’”, aludindo à insistência de Élio Maia, líder do município, em avançar com a obra no quadro do programa de regeneração urbanística Parque da Sustentabilidade. “Como sabiamente dita o povo: quem não deve, não teme. Oiçam os aveirenses e depois decidam em liberdade”, exorta.
Segundo Miguel Fernandes, a maioria que governa a edilidade encontra-se “toldada com a obsessão da obra”. “Numa época em que o país atravessa um período de dificuldades, os portugueses experimentam diariamente sacrifícios e o Estado vive enforcado com um défice público anormal, estas obras não são oportunas e muito menos são recomendáveis, desde logo para as contas de um município cada vez mais endividado”, avisa.
Na opinião de Miguel Fernandes, a reunião de 1.300 assinaturas pelo movimento de cidadãos que se opõe à construção da travessia é “um sinal claro da nova cidadania activa e de participação democráticas numa terra que sempre foi de liberdade”.






