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Costurar com amor... para proteger da Covid-19 os profissionais de saúde


segunda, 06 abril 2020

Costureiras profissionais. Curiosos da costura. Sozinhos ou de instituições. É uma verdadeira onda solidária aquela que se tem visto nascer para garantir que profissionais de saúde e outros tenham os equipamentos de protecção individual de que tanto precisam para fazer face a esta pandemia.
Não é novidade que há dificuldade em garanti-los em número suficiente. Por isso, as costureiras do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) estão há semanas a produzir, em especial, cogulas e botas para os seus profissionais de saúde. A elas juntaram-se muitas outras mãos que agora, e de uma forma completamente voluntária, estão a produzir estes equipamentos em casa... e sem mãos a medir.
Cristina Murta é disso exemplo. Soube da dificuldade do CHUC através de um grupo do Facebook. Com «algum jeito» para a costura, decidiu ajudar e tem partilhado o seu trabalho nas redes sociais.
Neste momento, a juntar à “encomenda” para o CHUC, tem já pedidos para funcionários de lares e de centros de saúde. «Tal é a necessidade das pessoas deste tipo de equipamento», comenta, sublinhando que tem dificuldade em aceitar outras encomendas. «Não tenho tecidos. Os que tenho, assim como os moldes, são disponibilizados pelo CHUC», explica, garantindo, o entanto, que ajudará, dentro das suas possibilidades, se houver tecidos para confeccionar os equipamentos.
No caso do CHUC, tecidos, elásticos e moldes são disponibilizados pelo hospital, assim como um tutorial no youtube. a explicar como costurar cogulas e botas. As máquinas de costura, essas, não têm parado.
No Museu Nacional Machado de Castro (MNMC) está criada «uma verdadeira linha de montagem», garante a directora, Ana Alcoforado, dando conta do entusiasmo com que os funcionários do museu estão, há uma semana, a produzir cogulas e botas para os profissionais de saúde do CHUC.
Foi o MNMC que se propôs a ajudar e o hospital agradece...
«Tem sido uma dedicação total», diz a directora, adiantando que a ideia surgiu no próprio museu, da necessidade de tornar úteis os funcionários cuja actividade não se coaduna com o teletrabalho, mas também da vontade «ajudar e envolver-se com a comunidade».
O resultado é, numa semana, a confecção de cerca de 100 cogulas e 200 botas, por seis funcionários do MNMC e dois voluntários que estão «mais do que empenhados», nesta missão de ajudar os principais combatentes desta pandemia, uns em casa, nas suas máquinas de costura, outros no museu, onde são feitos os moldes. «Neste momento, a preocupação é com a falta de tecidos», comenta Ana Alcoforado.
Igualmente empenhadas estão as funcionárias dos Serviços de Acção Social da Universidade de Coimbra (SASUC) que, desde quinta-feira fazem, também parte desta onda solidária.
«O CHUC  entrou em contacto connosco e pediu-nos ajuda e a adesão das costureiras foi imediata», confirmou ao Diário de Coimbra Nuno Correia, administrador dos SASUC, sublinhando o facto de as seis funcionárias que estão a confeccionar cogulas e botas para os profissionais de saúde do CHUC pertencerem «a grupos de risco», o que intensifica o sentimento com que se estão a dedicar a esta tarefa.
«Estão muito entusiasmadas pelo facto de estarem a ajudar. Partilham fotos e o seu gosto pela tarefa que lhe entregámos», comenta Nuno Correia, confirmando a total disponibilidade dos SASUC para continuar ajudar, à sua maneira, a diminuir o risco de tantos profissionais de saúde que estão na linha da frente no combate à pandemia da Covid-19. 

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