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Covid-19: Leiria continua mergulhada no isolamento à espreita da rotina diária


texto: Mário Pinto / foto: Luís Filipe Coito sexta, 03 abril 2020

Ruas praticamente desertas. Comércio encerrado. Jardins e espaços de lazer vazios. Instituições públicas de portas fechadas. Acessos ao percurso Polis encerrados. Terminal rodoviário semi-aberto. Era este o cenário ontem de manhã na cidade de Leiria, no dia em que foi prolongado o estado de emergência no País, devido ao novo coronavírus.
Numa reportagem feita pelo Diário de Leiria durante a manhã de ontem – dentro das limitações e recomendações impostas pelo Governo – o cenário na malha urbana de Leiria era de uma invulgar pacatez, que contrasta com os dias agitados em dias normais, numa cidade marcada pelo dinamismo comercial, empresarial e de serviços.
As poucas excepções de (a) normalidade são a circulação de taxistas, o funcionamento dos supermercados para os leirienses se abastecerem de bens essenciais, as farmácias e os postos de combustível, que continuam abertos mas com algumas restrições para evitar aglomerados de pessoas. Na zona das urgências do Hospital de Leiria – onde está montada uma tenda de apoio à unidade hospitalar –, a movimentação de pessoas e de ambulâncias era praticamente nula, contrastando, assim, com o corropio diário em condições normais de funcionamento de um hospital central com a dimensão daquela unidade de saúde. E mesmo os parques de estacionamento de apoio estão praticamente vazios.
Estes são alguns exemplos de que Leiria mantém-se mergulhada no isolamento, cumprindo as recomendações impostas pelo estado de emergência.
“Temos verificado que os leirienses de uma forma geral têm cumprido as indicações para permanecerem nas suas casas. No início verificaram-se alguns casos de aglomeração indevida, mas registamos com satisfação que a tendência geral tem sido a do respeito pela obrigação de permanência nas habitações”, afirma ao Diário de Leiria Gonçalo Lopes, presidente da Câmara Municipal de Leiria, apelando aos leirienses para que “nos próximos dias sigam à risca as recomendações das autoridades de saúde”, pois “este é um período crítico no combate à pandemia”. “Temos, mais do que nun­ca, redobrar os cuidados para defesa da nossa população, em especial o escalão sénior”, sublinha.
Locais onde a concentração de leirienses é comum em dias de normalidade – nomeadamente a Praça Rodrigues Lobo, o Jardim Luís de Camões, as avenidas Heróis de Angola, Marquês de Pombal, entre outras – estão transformados em espaços vazios e de silêncio, quebrados apenas pelo chilrear dos pombos na Praça, e dos (poucos) carros que circulam nas imediações. As poucas pessoas que são avistadas nas ruas, protegidas por máscaras, são as que têm por hábito passear o animal de estimação, ou as que se deslocam aos supermercados.
Ainda nalgumas zonas da cidade, designadamente na Avenida Nossa Senhora de Fátima e parte da Marquês de Pombal, o silêncio é quebrado pelo barulho das máquinas envolvidas nas obras de requalificação daquelas duas avenidas. Nas imediações do Estádio Municipal – local que está a receber o atendimento de casos suspeitos de Covid-19 – a movimentação é também praticamente nula, numa zona onde a forte afluência de pessoas e de viaturas diária é intensa, sobretudo para quem se desloca para a Associação Empresarial da Região de Leiria (Nerlei).
Relativamente ao impacto que o novo coronavírus está a causar na economia do concelho, o presidente da autarquia, Gonçalo Lopes afirma que “o impacto económico desta paragem quase geral da sociedade vai ser pesado”, adiantando que “teremos todos de fazer um grande esforço para voltarmos rapidamente à normalidade depois de superarmos a crise de saúde pública”. “No município de Leiria estamos empenhados em dar apoio às franjas da sociedade mais atingidas pela crise e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para ajudar a alavancar a retoma da actividade empresarial”, garante o autarca leiriense.
Perante esta garantia do presidente da autarquia, só resta aos leirienses aguardar pelo regresso à normalidade. Até quan­do? É uma incerteza que paira no ar, numa cidade parada. 

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