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Com Choupal interdito restaram os “passeios higiénicos” pela cidade


domingo, 29 março 2020

População e autoridades parecem ter aprendido com as imagens de uma multidão, em particular na zona do Choupal, que circularam no fim-de-semana passado nas redes sociais. A Câmara de Coimbra solicitou a interdição do Choupal, o Instituto Nacional das Florestas e Conservação da Natureza (ICNF) interditou a mata nacional «por tempo indeterminado» e PSP e Polícia Municipal cumpriram o seu papel, impedindo a circulação.
Resultado: um Choupal completamente vazio e a certeza de que, pelo menos por ali, a necessidade de manter a distância para evitar o contágio pelo novo coronavírus está garantida, assim como o respeito pelas determinações do Estado de Emergência, cujas medidas estão em vigor há exactamente uma semana.
Apesar de tudo, e com um sábado a acordar primaveril, não faltou quem aproveitasse para fazer o «passeio higiénico» que esta nova condição permite. Cerca das 11h00, meia dúzia de pessoas, sozinhas, a correr ou a andar de bicicleta nas imediações do Choupal. Pouco tempo depois, mais uns quantos no Parque Verde, co­mo é o caso de uma mãe (que preferiu não ser identificada) que, apesar de estar a fazer isolamento voluntário, todos os dias leva os filhos, com cinco e dois anos, a «apanhar um pouco de vitamina D» na margem esquerda.

Até que tudo volte a ficar bem...
«Venho dez a quinze minutos, um bocadinho, para apanharmos ar. Não falamos com ninguém e temos todos os cuidados», explica, confessando que esta obrigação de isolamento está, no seu caso, «a custar mais aos mais pequenos». «Ficam muito inquietos», desabafa.
Inquieta estava também, em casa, uma professora, natural de Lisboa, mas residente em Coimbra, que ontem de manhã decidiu ir «apanhar um pouco de ar» ao Parque Verde. Chegou, sentou-se na zona das mesas e ficou a «respirar fundo» porque «estar em casa há mais de dez dias» estava a fazê-la «sufocar». «Vim porque sei que é uma zona ampla e achei que não estaria muito frequentado. Precisava de oxigénio», confessa.
Poucos mais havia por ali. Aliás, o Parque Verde estava, ontem de manhã, muito longe de outros sábados primaveris, com famílias a ocupar as mesas com piqueniques ou festas de anos, a esplanada da rulote cheia para um cafézinho, o “skate park” com desportistas radicais e a “aranha” a ser trepada por dezenas de crianças... Agora, estão os dois interditos.
Restaram casais com carrinhos de bebé, pessoas sozinhas a fazer caminhadas, a passear o cão ou a ler um livro, ou uma dupla, a correr e a andar, mas numa tentativa nítida de manter, pelo menos, o metro de distância.
Ao contrário do que aconteceu no Parque Linear do Vale das Flores que, por ser perto de uma zona habitacional é mais propício a aglomerados, no Parque Verde não se viram agentes da PSP ou da Polícia Municipal a alertar para o perigo de contágio que há em juntarem-se várias pessoas em grandes aglomerados, sem manter a distância de segurança. A população e as autoridades parecem ter aprendido. E tendo em conta que o pico desta pandemia em Portugal está previsto para o final de Maio, a esperança é que assim se mantenha até que tudo volte a ficar bem...|

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