Jornal defensor da valorização de Aveiro e da Região das Beiras
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Migrações: Papa pede fim do "muro de cumplicidade" que agrava situação dos migrantes


quinta, 14 junho 2018
O papa Francisco exortou hoje a comunidade internacional a ter a "coragem de destruir o muro da cumplicidade confortável e muda que agrava a situação de desamparo" dos migrantes para dar uma resposta concreta e digna ao desafio humanitário. O pedido foi feito numa mensagem enviada pelo papa Francisco aos participantes do II Colóquio da Sé – México sobre a migração internacional, que se celebra no Vaticano e promovida pela Secretaria de Relações com os Estados e a embaixada do México na Santa Sé. “Todos eles esperam que tenhamos a bravura para destruir o muro dessa cumplicidade cómoda e muda que agrava a sua situação de desamparo e que coloquemos neles a nossa atenção, a nossa compaixão e dedicação”, disse. A mensagem foi lida na abertura do evento pelo secretário das Relações com os Estados, Paul Richard Gallagher. O papa Francisco afirmou que “para fazer frente e dar resposta ao fenómeno da migração actual, é necessária a ajuda de toda a comunidade internacional”. “Esta cooperação internacional é importante em todas as etapas da migração, desde o país de origem até ao destino”, disse. “Em cada um destes passos, o migrante é vulnerável, sente-se só. Tomar consciência disto é de uma importância capital se se quer dar uma resposta concreta e digna a este desafio humanitário”, assinalou. O papa considerou também ser necessário que “a responsabilidade da gestão global e a partilha da migração internacional encontre o seu ponto de força nos valores da justiça, solidariedade e compaixão”. Para o papa Francisco, é preciso “mudar mentalidades: passar de considerar o outro como uma ameaça à nossa comodidade e valorizá-lo como alguém que com a sua experiência de vida e os seus valores pode ajudar a contribuir para a riqueza da nossa sociedade”. Francisco alertou ainda para a importância de tratar os imigrantes e refugiados não como meros números, mas como pessoas que têm direito a gozar de uma protecção contínua.