Jornal defensor da valorização de Aveiro e da Região das Beiras
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Aveiro mede a febre da música que aí vem, com um festival com “síndrome Miss Portugal”


Adérito Esteves quinta, 07 dezembro 2017
Se a música portuguesa continua a ter espaço para fervilhar antes de chegar aos grandes palcos, um dos responsáveis é Fernando Alvim, radialista actualmente na Antena 3, que, em 1994, criou o Festival Termómetro, com o objectivo de descobrir novos talentos musicais em Portugal. No primeiro ano, ajudou a lançar os Blind Zero para a ribalta, e entre os vencedores do festival encontramos nomes como Silence 4 ou Mazgani e percebemos que foi ali que se deram a conhecer artistas como Alex d’Alva Teixeira, Ana Bacalhau, B Fachada, Capicua, Ornatos Violeta ou Richie Campbell, que passaram pelo Termómetro sem o vencer. E isso ajuda a justificar a “síndrome Miss Portugal” de que o festival padece, segundo Fernando Alvim. Mas é também uma prova do valor das vinte bandas que anualmente são seleccionadas para participar em eliminatórias que conduzem cinco delas a uma final. E é aí que, este ano, o Teatro Aveirense entra na febre. Amanhã, a partir das 21.30 horas, o público tem a oportunidade de, por três euros, assistir a um concerto de bandas que podem vir a ser “the next big thing” da música portuguesa. Killian Music, Mathilda, quartoquarto, Rua Direita e Xksitu são os nomes que, em Aveiro, procuram a passagem para a final que se realiza no dia 13 de Janeiro, no Cinema São Jorge e que terá como banda convidada os Pop Dell' Arte. Nesta conversa com alguém que trata por “tu” meio mundo da música e da Cultura, esse tratamento também nos foi imposto e aceite, com todo gosto. Diário de Aveiro: Qual é o principal objectivo do Festival Termómetro? Fernando Alvim: O objectivo é o mesmo de quando o festival foi criado: descobrir novos valores da música nacional. E acho que o temos conseguido, desde 1994. Essa é a nossa grande missão, perceber quem são os valores emergentes a cada ano que passa e sermos nós a descobri-los e a potenciar o seu talento. O objectivo é o mesmo, mas há mudanças em relação a 1994? Sim, as coisas, entretanto, mudaram. Em ‘94, o festival era unplugged [acústico] e agora já não é; realizava-se só no Porto e agora é itinerante; em ‘94 não estava aberto à participação internacional e agora está. Mais, em ‘94 havia sempre uma banda vencedora de cada eliminatória que dava acesso à final e, hoje, isso já não acontece. Não existem vencedores nem vencidos nessas sessões. Então como são apurados os finalistas? Agora, só depois de as 20 bandas tocarem nas quatro sessões em que são apresentadas é que escolhemos as cinco bandas que vão à final. Parece-nos um processo bem mais justo decidir só depois de vermos todas as bandas actuar.
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