Uma auxiliar de educação da EB2/3 de Paços de Brandão, Santa Maria da Feira, foi “espancada” ao murro e pontapé por um aluno de 15 anos. Esta é a segunda vez que Fátima Almeida é agredida, mas, mesmo assim, prefere o silêncio para não arriscar um processo disciplinar. No último ano, esta é a terceira funcionária a ser agredida por alunos. O presidente do Conselho Executivo, Rafael Barros, confirma os incidentes, mas garante que o caso “está a ser empolado”.
Fátima Almeida, de 51 anos, alega que está a decorrer um inquérito interno e por isso não quer falar sobre o caso. “Apenas posso confirmar, nada mais”, afirma, deixando no entanto escapar um lamento: “Trabalhei numa escola no Bairro do Cerco, no Porto, e nunca me aconteceu nada disto”.
Desmaiou e só acordou no hospital
O Diário de Aveiro sabe que o caso remonta a 14 de Novembro e desde aí Fátima Almeida tem estado de baixa médica, segundo alguns amigos derivado às lesões, “mas também por se sentir psicologicamente debilitada”. Tudo terá decorrido ao final da tarde quando um aluno, primo do agressor, que perdeu o autocarro afirmava que “agora era ela que o tinha que levar”.
A funcionária pediu-lhe respeito e foi aí que o primo do aluno resolveu entrar na discussão. Fátima Almeida ter-lhe-á dito que não era nada com ele e mandou-o sair. Ele avisou-a que lhe “fazia a folha”, mas a funcionária não se intimidou, tentou empurrá-lo para fora. “Ele deu-lhe um violento empurrão, ela caiu de costas e ele, não satisfeito, começou a agredi-la com murros e pontapés nos braços e cabeça, até que o primo lhe disse que já chegava”, segundo fonte ligada à escola. A funcionária tentou fugir do local para pedir socorro, mas desmaiou a meio do caminho e só acordou no hospital.
Agressor é visto como herói
O aluno continua a frequentar a escola causando revolta em muitos pais e também nos funcionários que pediram uma reunião de emergência com o Conselho Executivo, alegando terem medo de estar no seu posto de trabalho depois dos últimos acontecimentos. O responsável pela escola tê-los-á aconselhado, porém, a não reagirem às provocações dos alunos. Entre os estudantes o agressor é visto actualmente como um herói, o que faz aumentar a revolta dos funcionários e também dos encarregados de educação.
Há cerca de um ano, duas outras funcionárias foram também agredidas por outros alunos, mas neste caso os estudantes foram punidos com suspensão. Já na justiça civil os casos foram arquivados por se tratar de menores.
“Acho que estão a empolar o caso”
O presidente do Conselho Executivo, Rafael Barros, confirma todas as situações, mas não quer pronunciar-se uma vez que decorre um processo de averiguações, adiantando apenas que se trata de alunos com alguns problemas e que os casos foram comunicados ao Gabinete de Segurança da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN). “Acho que estão a empolar o caso”, concretizou o responsável.
O Diário de Aveiro tentou também ouvir a responsável pela Associação de Pais, mas tal não foi possível. Tal como nas vezes anteriores, também foi apresentada na GNR queixa contra os alegados agressores.
Francisco Manuel |