PUB.
Director Adriano Callé Lucas • Avenida Dr. Lourenço Peixinho nº15 3800-164 AVEIRO • diarioaveiro@diarioaveiro.pt
Mealhada: Barricou-se dentro do automóvel para impedir destruição de acesso
O proprietário da Estalagem Azevedo, na EN 234, na Mealhada, queixa-se de lóbis e discriminação por parte da EP – Estradas de Portugal. Ontem quiseram destruir-lhe o acesso ao restaurante. A GNR foi em peso para o local

Eram 6.30 horas da manhã de ontem. O dia estava a nascer. Funcionários da Estradas de Portugal (EP) do distrito de Aveiro chegavam junto da Estalagem Azevedo, uma unidade hoteleira classificada com quatro estrelas, situada na EN 234, na Mealhada. Missão: desfazer (destruir) o acesso àquele estabelecimento que o proprietário fez no seu terreno para evitar que os seus clientes tivessem que andar mais alguns quilómetros para acederem (pelas traseiras) ao complexo. Um camião, uma máquina escavadora, alguns operários, um advogado e um engenheiro da EP preparavam-se para cumprir a missão.
Missão abortada. Aqueles técnicos não contavam com a reacção do proprietário e dos funcionários da Estalagem. José Azevedo, determinado, colocou o seu Mercedes no acesso, a filha o seu BMW, e um genro a sua carrinha Opel Corsa.
«Daqui não saio, daqui ninguém me tira! Só por cima dos nossos cadáveres. O terreno é meu, não é da EP», terá dito José Azevedo aos funcionários da Estradas de Portugal, barricando-se dentro do carro, impedindo funcionários e máquinas de cumprirem a missão.
De imediato todos os funcionários se solidarizaram com o patrão e espontaneamente fizeram uma manifestação, clamando a «injustiça» que estava a verificar-se. Depressa chegou a GNR com mais de uma dezena de elementos, que tentaram demover o empresário e os manifestantes. Sem resultado. A força policial ameaçou com a chamada de reforços e a retirada dos automóveis do terreno, «à força». Nem assim resolveram a situação. Chegaram dois reboques para retirar os veículos. Ao mesmo tempo chegava também a advogada de José Azevedo e o advogado da EP. O caos estava instalado na EN 234.
Dentro do automóvel, José Azevedo dizia ao Diário de Aveiro estar a ser alvo «de discriminação», de «injustiça», e ser vítima «de um grande lóbi instalado na Mealhada», que o tem prejudicado no seu negócio. A afirmação assenta no facto de, conta o empresário, «todos os outros estabelecimentos comerciais desta estrada terem acessos aos seus estabelecimentos autorizados pela EP, inclusive o posto de combustíveis da BP, numa curva perigosa, e não deixam que este acesso, no meu terreno, esteja aberto. Tem de haver grandes interesses e um lóbi muito grande para isto acontecer», referiu, indignado, o empresário.
Enquanto o nosso Jornal ouvia José Azevedo, os funcionários manifestavam-se com tarjas a reclamar justiça, os advogados (da EP e da Estalagem) tentavam chegar a um consenso. A GNR, em força no local, orientava o trânsito, pois a confusão naquela estrada nacional era muita.

«Despedimentos e prejuízos»

Acompanhado por um consultor, o empresário continuava no seu carro, barricado, disposto a não abandonar o local, «aconteça o que acontecer». Enquanto isso, perguntava ao nosso Jornal, indignado: «Mandar para aqui funcionários destruir este acesso às seis horas da manhã, não é má-fé? Por que é que a EP nunca aprovou os meus projectos e deixa os outros (estabelecimentos) terem acessos às suas casa com acessos ilegais?».
José Azevedo explicou que, quando abriu a Estalagem, há quatro anos, apresentou vários projectos à Estradas de Portugal do distrito de Aveiro para a construção de um acesso ao seu estabelecimento, inclusive «uma rotunda paga pelo meu próprio bolso», mas nunca recebeu uma resposta positiva, o que o obrigou a fazer o referido acesso, para evitar perder mais clientes.
«Um empreendimento desta natureza não pode estar tanto tempo à espera que um problema destes seja resolvido, e sem este acesso os prejuízos são enormes, na ordem dos 80 por cento, ao ponto de me já me ter obrigado a despedir 20 funcionários», explicou o empresário, referindo que com aquele acesso (construído há cerca de dois meses), a Estalagem voltou a entrar num ritmo normal, ao ponto de em Janeiro «ter mais clientes que na época de Natal».
«A lei não é justa para todos», refere José Azevedo ainda barricado no seu automóvel, afirmando que, no seu caso, está em causa a sobrevivência do seu complexo hoteleiro «e a manutenção dos postos de trabalho que ainda restam», neste momento 18 funcionários.
As negociações para demover o empresário, filhas e funcionários a abandonar o local continuavam. Funcionários, reboques e máquinas da EP continuavam à espera, na berma da estrada. Os militares da GNR mantinham-se atentos, à espera de uma decisão. Estavam prontos a actuar. À força ou pacificamente.
José Azevedo cedeu. Foi convencido pelos advogados de ambos os lados a abandonar o carro e a deixar livre o terreno. Eram 11.15 horas. Ao fim de quase quatro horas de resistência. A máquina escavadora da EP entrou em acção e desfez o que estava feito. Por ali não entra ninguém para a Estalagem Azevedo. E agora?
«Agora vou recorrer desta injustiça, vou continuar a lutar até que me dêem razão e continuar a denunciar o lóbi que deixa os outros terem acessos e que a mim me descrimina», assegura o empresário, reivindicando «justiça».
O Diário de Aveiro entrou em contacto com a Estradas de Portugal do distrito de Aveiro para tentar obter uma explicação sobre esta situação, mas o director regional, Joaquim Rosa, não estava presente. Uma responsável, Célia Maio, recusou-se a dar qualquer esclarecimento e remeteu-nos para o gabinete de imagem e comunicações, em Almada. Foi o que fizemos. Deste gabinete foi-nos dito que o director «estava em reunião» e, por isso, não estar disponível «para qualquer esclarecimento».

José Carlos Silva
19°C
Pouco Nublado
Temperatura:19°C
Humidade: 94%
Vento: SSE a 14 km/h
[previsão próximos dias]
 
PUB.