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Mealhada: Populares revoltados com libertação de assaltantes
Tribunal mandou em liberdade autores de assalto a bombas de gasolina, o que indignou a população

Os três assaltantes das bombas de gasolina Alves Bandeira, na Pampilhosa, Mealhada, foram libertados anteontem pelo procurador do Ministério Público do Tribunal de Anadia, que terá alegado escassez de factos para os apresentar ao juiz de Instrução Criminal. Os suspeitos estão indiciados em vários processos de roubo à mão armada na região de Setúbal, onde residem.
Ao saber que os três imigrantes brasileiros tinham sido libertados, a população da Pampilhosa ficou indignada e revoltada, não compreendendo a decisão do tribunal. Recorde-se que os suspeitos foram apanhados pelas patrulhas da GNR e Núcleo de Investigação Criminal (NIC), pouco depois de terem feito o assalto. Também entre as forças policiais, PJ e GNR, a decisão não caiu bem, causando algum mal-estar entre alguns dos seus agentes, mas ninguém se quis pronunciar.
Entre os populares também existe o medo de retaliação, mas não conseguem conter a revolta, recordando que durante o assalto os suspeitos ainda dispararam pelo menos dois tiros, que só não feriram ninguém “por milagre”.
“O que está mal não é terem sido libertados, mas o juiz que fez isso deveria ir para a cadeia”, ironizou Manuel Ferreira, amigo das vítimas. Os populares estão incrédulos, como é o caso de José Costa, que diz não ficar surpreendido com decisões como estas, não culpando juízes, ou magistrados, mas sim “quem faz as leis”, não evitando, também ele, uma tirada irónica: “Não se pode prender todos os ladrões…”.
Nas bombas de gasolina o tema não podia ser outro que não o assalto de segunda-feira. Na pacata freguesia todos se conhecem e todos querem saber o que se passou. A funcionária, à medida que vai abastecendo os carros e motorizadas, vai explicando o sucedido. Quando lhes dizem que o trio vai aguardar julgamento em liberdade não conseguem esconder a estupefacção. “Só quando tocam nos poderosos é que se faz alguma coisa...”, afirmava uma mulher antes de arrancar, enquanto um motociclista ia mais longe ainda: “Eles dispararam dois tiros, que por sorte não acertaram em ninguém, mas se acertasse?”.
A população não esquece também as autoridades policiais, em particular a GNR, que capturou os assaltantes pouco depois. “Arriscaram tudo atrás deles, sujeitos a levar um tiro só para os apanhar e depois vem um juiz e faz uma coisa destas. Isto só mesmo em Portugal...”, comentava um popular.

Francisco Manuel
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