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“Agarrar a faca pelo gume”, um romance sobre mulheres, memória e resistência

Inês Bernardo é natural de Ílhavo, jornalista e acaba de lançar um romance que marca a sua estreia no mundo da prosa, um estilo que lhe dá acesso a uma interessante «sujidade do real»

Diário de Aveiro: Como chegou a este título?
Inês Bernardo: Ouvi pela primeira vez o ditado «Uma mulher a­gar­ra sempre a faca pelo gu­me», do povo tsua­na - que habita regiões da África do Sul e do Botsuana - numa palestra da ensaísta Roxane Gay sobre trauma e o feminino. Na altura ressoou de uma for­ma muito particular em mim e escrevi-o numa nota, tendo-a perdido logo de seguida. Nos últimos anos de escrita, reencontrei essa nota e uma lâmpada acendeu-se na minha cabeça: era absolutamente óbvio para mim que estava ali o título do livro que eu andava a escrever há tanto tempo.

Porque o livro é descrito co­mo fragmentado e feito de ausências?
Desde o início que escrevo por fragmentos. A estrutura cresceu assim, de forma muito orgânica. Até porque, como fui trabalhando neste romance de forma pontual, ao longo de tanto tem­po, era como se o visitas­se de vez em quando para a­cres­cen­tar mais um tijolo na estrutura, alisar uma parede.

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Abril 19, 2026 . 08:30

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