Última Hora
Pub

Combate à apanha fraudulenta da amêijoa-japonesa

Desenvolvida pela Universidade de Aveiro, técnica baseia-se na chamada «’impressão elementar’ das conchas, uma assinatura química natural que reflete as condições ambientais onde as amêijoas cresceram

A análise da composição química das conchas da amêijoa-japonesa é - de acordo com uma nota de imprensa enviada ao nosso jornal - «uma ferramenta eficaz para identificar a sua origem geográfica e, com isso, combater a rotulagem fraudulenta e a pesca ilegal de centenas de toneladas todos os anos». Desenvolvida pela Universidade de Aveiro (UA), a técnica baseia-se na chamada «’impressão elementar’ das conchas, uma assinatura química natural que reflete as condições ambientais onde as amêijoas cresceram.
Só no último Natal as autoridades nacionais apreenderam quase cinco toneladas de amêijoa japonesa viva em vários pontos do território nacional destinadas ao consumo humano, capturadas de forma ilegal, ao longo do ano, na Ria de Aveiro, no Estuário do Sado e, sobretudo, no Estuário do Tejo, onde apresenta níveis elevados de metais, estando a sua comercialização viva interdita.
Segundo o biólogo Ricardo Calado, um dos autores deste estudo da UA, «este nível de contaminação é tão elevado e persistente que fica ‘impresso’ nas conchas destas amêijoas quando crescem nestes locais, funcionando como códigos de barras naturais». Ou seja, em seu entender, mesmo que a documentação seja falsificada, indicando que as amêijoas provêm do Estuário do Sado ou da Ria de Aveiro, «as assinaturas elementares das conchas expõem essa prática fraudulenta de forma inequívoca».
O investigador acrescenta - no comunicado recebido pelo Diário de Aveiro - que estes códigos naturais não podem ser falsificados e que a equipa da UA está já a validar, em articulação com as autoridades nacionais, «soluções portáteis de despistagem em tempo real de amêijoas-japonesas vivas capturadas no Estuário do Tejo, para que possam ser retiradas do mercado e assim salvaguardar a saúde pública, incluindo de consumidores estrangeiros, dado que parte deste produto é exportado para outros países europeus».
Esta investigação da universidade aveirense revela ainda que «é possível identificar a época de colheita das amêijoas em cerca de dois terços dos casos analisados, uma informação particularmente útil para produtos congelados comercializados com concha».

 

Para continuar a ler este artigo

Se ainda não é
nosso assinante:
Assine agora
Se já é nosso
assinante:
Inicie sessão
Março 4, 2026 . 09:45

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
94 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right