
Pampilhosa denuncia «vários episódios de insultos racistas» em Fermentelos
O Pampilhosa, através das suas redes sociais, denunciou que um futebolista seu foi alvo de insultos racistas no Parque Desportivo Constantino Marques Duarte, em Fermentelos, e que, face aos mesmos, decidiu não concluir a partida da 13.ª jornada do Campeonato SABSEG, o principal campeonato promovido pela Associação de Futebol de Aveiro.
«Após vários episódios de insultos racistas desde as bancadas para dentro de campo, dirigidas a um dos nossos atletas, resolvemos, ao minuto 20 da segunda parte, dar a partida como terminada, recolhendo a equipa ao balneário», explicou o Pampilhosa nas suas redes sociais, onde vinca «repudiar veementemente este triste episódio».
«Ao abrigo da Lei n.º 93/2017, que estabelece o regime jurídico de prevenção, proibição e combate à discriminação com base na origem racial e étnica, cor, nacionalidade, ascendência e território de origem e sendo nós, orgulhosamente, um clube que sustenta o galardão da Bandeira da Ética do Desporto não compactuamos com este crime», reforça o clube da Pampilhosa, garantindo que, «é muito mais importante a proteção e a salvaguarda da dignidade» dos seus atletas do que um «resultado desportivo positivo».
Alexandre Silva, diretor desportivo do Fermentelos, garantiu ao jornal Record, que o clube da casa «tudo fez para resolver os alegados insultos». «Quando fomos avisados pelo árbitro na primeira parte, colocámos pessoas naquele local para perceber o que se estava a passar. Ao intervalo, o jogador fez queixa. Retomado o jogo, tudo foi normal, até o treinador adversário exaltar-se, ser expulso e saltar para a bancada atrás do banco e começar a confusão. O árbitro parou o jogo, a GNR pediu reforços e, quando chegaram, o árbitro tentou recomeçar o jogo e o Pampilhosa recusou-se», explica.
Ainda em declarações ao jornal desportivo, Alexandre Silva disse que o clube «vai esperar pelo relatório do árbitro e da GNR» e garante que se for confirmado que houve insultos racistas o Fermentelos «tudo vai fazer para descobrir quem os fez» e impedirá que essa pessoa «volte a entrar no estádio».
Também no jogo desta tarde, e segundo fonte da estrutura do Fermentelos, um adepto da equipa do Pampilhosa entrou «em campo para agredir o árbitro», mas foi de imediato «travado e identificado» pela força de segurança policial presente.
Câmara da Mealhada
também repudia episódio
A Câmara Municipal da Mealhada já manifestou o seu «profundo repúdio pelos alegados episódios de racismo ocorridos durante o jogo entre o Futebol Clube da Pampilhosa e o Sporting de Fermentelos» e enalteceu «a atitude exemplar» do Pampilhosa que, «ao interromper a partida e retirar a equipa de campo, demonstrou coragem, firmeza e um inabalável respeito pelos seus jogadores».
«Ao privilegiar a proteção da integridade física e emocional dos atletas acima de qualquer resultado desportivo, o clube assumiu uma posição clara em defesa dos valores que devem nortear o desporto», pode ainda ler-se na nota de imprensa, na qual reafirma que «o racismo é inaceitável e não pode ter lugar no desporto, nas instituições ou em qualquer esfera da sociedade. A dignidade humana é um valor absoluto e deve ser protegida sem hesitações, sempre».












