
AAUAv celebra tomada de posse de 500 dirigentes
A Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv) celebrou, ontem, o seu 47.º aniversário numa cerimónia marcada pela reflexão, renovação e afirmação do papel determinante que desempenha na vida académica, cívica e cultural da universidade e da região.
Novo protocolo assinado com a autarquia
A cerimónia iniciou com as palavras do Presidente da Câmara Municipal de Aveiro, Ribau Esteves, que destacou o «caráter único» da associação, elogiando a sua capacidade de «estimular e apostar no futuro» com base na história construída ao longo de quase cinco décadas. Sublinhou, ainda, o valor da AAUAv como «um contributo de cidadania para a cidade universitária, a Universidade e o mundo», destacou.
O Reitor da Universidade de Aveiro, Paulo Jorge Ferreira, reforçou o papel imprescindível da AAUAv na construção de uma academia plural e internacional. «Aprender na associação académica faz de vós melhores cidadãos», afirmou, lembrando que o verdadeiro objetivo da universidade é «formar mais do que técnicos, é formar cidadãos capazes de transformar o mundo». O Reitor valorizou o papel da associação na integração de uma comunidade composta por mais de 19 mil estudantes de mais de 240 municípios e 40 países, afirmando que a AAUAv é, por isso, também uma «semente de paz».
Num dos momentos mais simbólicos da cerimónia, 516 estudantes tomaram posse como dirigentes dos núcleos da associação, assumindo o compromisso de representar e trabalhar pelos colegas. A Presidente da AAUAv, Joana Regadas, sublinhou a coragem de «ser mais e fazer melhor», mesmo num contexto adverso, onde ainda falta a valorização institucional do percurso associativo e extracurricular.
«O percurso académico não se limita à sala de aula», lembrou Joana Regadas, alertando para as dificuldades enfrentadas pelos estudantes, como o abandono escolar, a precariedade, a falta de reconhecimento, e o impacto das novas propostas para o ensino superior, como a substituição de propinas por empréstimos.
O evento ficou ainda marcado pela assinatura de um protocolo de cooperação entre a AAUAv e a Câmara Municipal de Aveiro, que formaliza um apoio financeiro de 45 mil euros, sendo que 10 mil estão destinados a «pôr contas em ordem» dentro da associação, e também reforçar o investimento partilhado em áreas estratégicas, nomeadamente no desporto universitário. «A palavra dos homens é mais importante que os documentos, mas os documentos consolidam a relação entre instituições», disse Ribau Esteves.
Na sua intervenção, Joana Regadas lançou um forte apelo à ação perante os problemas do ensino superior em Portugal: saúde mental dos estudantes, precariedade, abandono escolar, reconhecimento dos trabalhadores-estudantes, e a necessidade de assegurar a educação como um direito universal e não um privilégio.
A dirigente lembrou que o movimento estudantil deve manter-se irreverente, independente e combativo. «A estrutura só é viva enquanto for de e para os estudantes», afirmou. «Ser parte desta história é pôr em prática todas as utopias», concluiu.












