
Reencontros de Música dão palco a Hand Werk
Em outubro de 2021, no âmbito do ciclo ‘Tubo de Ensaio’, Hand Werk estiveram na Sala Principal do Teatro Aveirense. Sob o mote “Crispy Nightmares”, o programa do evento é semelhante ao que se apresentou, na semana passada, na última edição do festival Acht Brücken, em Colónia.
Este sétimo momento dos RMC é protagonizado por seis músicos que não são apenas virtuosos nos seus instrumentos clássicos, são também destemidos exploradores do som que recorrem, para tal, a objetos não convencionais. Ocupando diferentes recantos do palco, o concerto balança entre estéticas diversas, desde a música de câmara assente em sistemas de afinação complexos (Saad Haddad), à que combina abstração, representacionismo e groove (Michael Maierhof) ou que tematiza o gesto físico a par do som (Natacha Diels, Francesco Filidei).
Francesco Filidei abre o espetáculo com “Esercizio di Pazzia II” [2014], seguindo-se de imediato a música de Michael Maierhof (1956) com os coloridos balões de que três performers se servem para captar a atenção do público –“shopping 4” [2005-06]. Pela primeira vez, apresentado em Portugal, O trio “Rust” [2024], de Inês Badalo (1989), dá a conhecer a exploração tímbrica que passa pela utilização de técnicas expandidas, antecipando o universo em que o pianista João Casimiro Almeida e o maestro Carlos Lopes mergulharão o público, na noite de sábado, na companhia da Orquestra Filarmonia das Beiras, na estreia da versão para orquestra clássica do concerto “Zafre” [2025] da mesma compositra.
Ainda numa formação menos convencional, segue-se a apresentação de 2.5 nightmares” [2015], para violoncelo e dois assistentes, da norte-americana Natacha Diels (1981). “To the beyond” [2018] é despojada de instrumentos convencionais, fazendo uso de objetos do quotidiano para uma utilização musical. Também em estreia nacional, “Selig Licht” [2023] é a obra do georgiano Saad Haddad (1992), que reúne em palco os seis elementos do grupo, cada um com o seu “instrumento clássico”, com destaque para o zarb, “tambor” iraniano em forma de taça que produz uma vasta gama de frequências, tal como a própria luz (em alemão, “Licht”). Por fim, “Selig Licht” (luz salvadora) retira a sua linguagem harmónica estrutural do coral final da cantata “Mit Fried und Freud ich fahr dahin” BWV 125, de J. S. Bach, reescrevendo em registo grave o campo harmónico correspondente aos parciais elevados de fundamentais ocultas.
Os Reencontros de Música Contemporânea estão com ingressos a quatro euros, onde não vai faltar muito boa música.











