
«Este palhaço» inflama ambiente político em Ílhavo
Comentários privados entre o presidente da Câmara, João Campolargo, e o vice-presidente João Semedo no início da última Assembleia Municipal, captados pelo sistema de som da sala, inflamaram o ambiente político em Ílhavo. Não se apercebendo de que os microfones estavam ligados, os dois autarcas do movimento independente Unir Para Fazer (UpF) trocam comentários sobre a sessão, ouvindo-se João Campolargo a usar expressões como «este palhaço».
Em comunicado, o presidente da Assembleia, Paulo Pinto dos Santos, do PSD, expressou «a mais profunda indignação, repúdio e vergonha pelas declarações injuriosas, difamatórias, ofensivas e inaceitáveis», tendo feito chegar uma exposição a entidades como o Ministério Publico, a Direção-Geral das Autarquias Locais e a Assembleia da República.
«Não se tratou de um lapso isolado nem de um comentário infeliz. Configurou um ataque consciente, injurioso e deliberadamente ofensivo dirigido à honra e à legitimidade de um órgão soberano do poder local», refere o autarca social-democrata.
Também «grave», acrescenta, foi a pressão exercida sobre os técnicos responsáveis pela gravação e transmissão da reunião no sentido de eliminar essa parte do registo, vista como «um padrão de censura, de manipulação da informação e de falta de transparência».
«O que se ouviu e o que se tentou ocultar foi vergonhoso e criminoso do ponto de vista jurídico, moral e institucional. E o que não pode acontecer é o silêncio cúmplice de quem deve, em primeiro lugar, respeito à democracia, à cidadania e às instituições», sublinha Paulo Pinto de Santos.
O UpF emitiu um comunicado em que rejeita «de forma categórica a narrativa construída pela Mesa da Assembleia Municipal relativamente a alegadas declarações proferidas no início da última sessão». «O que foi captado em áudio, de forma parcial, descontextualizada e sem qualquer suporte visual, não permite, em momento algum, atribuir com clareza autoria, destinatário ou intenção às palavras em causa», defende-se o movimento.
O UpF diz que em causa estão «trocas informais e privadas de comentários» que não deviam ser usadas para o jogo político. Ainda assim, lamenta a utilização de «expressões menos felizes». «Pedimos desde já desculpas àqueles que, de alguma forma, se poderão ter sentido ofendidos», lê-se. O movimento nega ainda quaisquer «atos de censura ou manipulação».
Esta polémica, conclui, não passa de «uma manobra de diversão» para «tentar ocultar» a «incapacidade de gerir o funcionamento da Assembleia e de conduzir os trabalhos».
Ao Diário de Aveiro, João Campolargo não se quis alongar em comentários, remetendo para o texto do movimento. Disse apenas estranhar que o presidente da Assembleia Municipal não tenha falado consigo ao invés de emitir um comunicado público. Para o líder do município, o comportamento do autarca do PSD deve-se ao clima eleitoral que já se vive. «Estamos a caminhar para as eleições autárquicas e cada um tem a sua agenda», disse.












