
“Base interna” mostra o potencial do mercado português... em Portugal
Todos juntos e com um único propósito em mente: destacar o turismo interno. O mote foi dado por Raul Almeida, antigo presidente da Turismo Centro de Portugal, que faleceu a 27 de dezembro do último ano, e será agora continuado por Rui Ventura, novo dirigente da entidade.
A verdade, segundo Jorge Sampaio, vice-presidente da Câmara Municipal de Anadia e presidente da Agência Regional de Promoção Turística do Centro de Portugal (ARPTC), é que foi «uma conversa após as vitórias nos Jogos Olímpicos» que motivou a edição em Anadia. «O estandarte será o Centro de Alto Rendimento de Sangalhos - o Velódromo -, onde a maioria dos eventos se vão realizar. Este é um centro único na Europa, de referência», indicou o autarca, anteontem, em Lisboa, durante a apresentação do evento.
O “Vê Portugal” tem o seu início marcado para dia 2 de junho e termina a 4 do mesmo mês, em Anadia. A sua oferta, explica o presidente da Turismo Centro de Portugal, Rui Ventura, diverge e completa o que aconteceu na BTL - Better Tourism Lisbon, que decorreu de 25 de fevereiro até dia 1 de março passado.
«A BTL é fundamental para o turismo e para o nosso país, mas acredito que são necessárias algumas alterações, que serão discutidas. Naturalmente, o projeto “Vê Portugal” apresenta um conjunto de propostas diferentes e que colmatam o que pode faltar na BTL», referiu.
Este é um ano de novidades no evento pois será a primeira vez que todos os integrantes regionais - Centro de Portugal, Porto e Norte, Lisboa, Alentejo e Ribatejo e Algarve, com a participação, também, do Turismo dos Açores - se juntam para criar uma dinâmica nova e de discussão entre polos com diferentes potencialidades e caraterísticas.
O projeto apresentado por Anadia vai refletir vários aspetos da região (como o enotorismo, o turismo de bem-estar e o turismo desportivo), sendo vinculado com as «diretrizes que se cruzam com as da Turismo Centro de Portugal». Entre estas diretrizes está a valorização da sua localização, a qual une Aveiro e Coimbra, dando especial destaque à cooperação entre ambas as realidades.
Apesar de se destacar como um evento de turismo interno, o “Vê Portugal” vai procurar, também, mostrar a internacionalização do mercado turístico. Desta forma, o interesse português na sua própria oferta não é esquecido e, na verdade, ganha o destaque que merece.
O secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, menciona que os portugueses são os maiores consumidores do mercado turístico de Portugal, principalmente nas zonas «do Centro e Alentejo», um marco de extrema relevância. «Portugal é o 12.º mercado mais competitivo na área do turismo e, na sua base, está o comércio de nível interno e nacional», revela Pedro Machado. Na sua análise, o secretário de Estado relembrou que o «Mercado Interno Alargado» (união do mercado turístico entre Portugal e Espanha) representa a «maior placa recetiva do mundo», um dado que não se deve ignorar: «em 2024, foram mais de 125 milhões de turistas que visitaram [a Península Ibérica]».
«Sol, praia e golfe»
Uma das “adversidades” que já foi combatida foi a sazonalidade do turismo em Portugal, que durante muito tempo foi visto como um destino de «sol, praia e golfe», como reflete Pedro Machado. Apesar dessa realidade já não ser atual - a oferta cresceu e tornou-se mais clara através da apresentação de novos produtos turísticos, como o enoturismo, o turismo de religião, empresarial, entre outros - a sazonalidade continua a ser um fator estudado, e importante, porém novas métricas foram acrescentadas que confirmam uma expansão para «turismo 365 dias».
O setor, porém, continua a apresentar algumas fragilidades que se pretendem ver combatidas; duas delas são o tempo médio de estadia e o rendimento que se deseja para toda a “operação”. «Conseguir que mais pessoas fiquem em Portugal, durante mais tempo, é um objetivo claro. Esta mudança vai auferir um retorno diferente do atual - melhor - e terá de continuar a ser analisado de forma constante para se entender o seu sucesso».
O crescimento do mercado português, porém, mostra-se de forma internacional, onde já consegue oferecer 22 produtos diferentes em 25 mercados distintos. «México, Argentina e Austrália são três mercados onde Portugal pode crescer, e vamos trabalhar nesse sentido», reforça o membro do Governo, garantindo que «o objetivo da nossa abordagem é reforçar o mercado interno e continuar a crescer de forma sustentável no exterior».
No primeiro trimestre de 2025, o turismo português já aumentou a sua receita entre oito a 12 por cento.











