
Por terras de arrozais, sapais, juncais e caniçais
Seja pela EN109, A29 ou Linha do Norte, todos os caminhos vão dar a esta «vila autêntica e serena, de paisagens verdejantes e de sabores e aromas próprios», como descreve o autarca local no livro lançado pelo executivo da junta a que preside. No prefácio de “Vila de Salreu - Sabores & Tradições”, Manuel Almeida vai mais longe na descrição, referindo-se a Salreu como «terra de refúgio e nidificação de tantas aves, que aqui encontram conforto, liberdade e alimento», com destaque, claro, para as cegonhas.
Simbolizando «bom augúrio», «piedade familiar» e «imortalidade», estas aves são já indissociáveis do território salreense, deixando-nos rendidos às suas beleza e elegância. O mesmo acontece com os seus campos férteis e recursos naturais onde a agricultura ainda tem uma forte presença, moldando «a paisagem com cores e formas diferentes consoante as estações do ano».
Percursos do BioRia
Salreu é, igualmente, conhecida pelos seus campos de arroz, sapais, juncais e caniçais. Aqui encontramos os arrozais mais a norte de Portugal (reativados há anos pela junta de freguesia), bem como uma das mais importantes manchas de caniçal, sinónimos de uma rica e variada avifauna, incluindo algumas espécies com maior representatividade no panorama nacional.
Também por aqui a “música” é outra. Falamos do coaxar das rãs e do canto das aves, que deslumbram e embalam quem “mete os pés ao caminho” por toda aquela natureza adentro. Entre os percursos do BioRia, projeto pioneiro de conservação da natureza e biodiversidade da Câmara de Estarreja, salientam-se, precisamente, os de Salreu e do Rio Jardim, ambos com grau de dificuldade fácil.
De natureza circular, o percurso de Salreu começa e termina junto ao Centro de Interpretação Ambiental (CIA) do BioRia. Aberto durante todo o ano, atravessa áreas de beleza paisagística “de cortar a respiração” que se estendem por cerca de oito quilómetros. Ligados por uma rede de valas, o Rio Antuã e o Esteiro de Salreu permitem a comunicação entre todos os habitats.
Já o percurso do Rio Jardim inicia e culmina na via paralela à linha ferroviária a poente, que liga o Esteiro de Canelas ao de Salreu. Ao longo dos seus dois quilómetros em forma de “U”, os visitantes poderão desfrutar de belas paisagens e habitats, bem como usufruir da extensa área sombria proporcionada pela densa vegetação arbórea das margens daquele rio.












