
UA cumpre primeira fase do satélite CorkSat
Apresentado à comunidade e posto no ar, a umas escassas dezenas de metros do solo, transmitindo dados para um posto em terra, o inovador CubeSat da Universidade de Aveiro (UA) «cumpriu com sucesso» a primeira fase do seu desenvolvimento. A apresentação aconteceu durante o evento “Satélites na Universidade de Aveiro”, no passado dia 3, que incluiu ainda a inauguração de um «laboratório pioneiro em Portugal» na área da Engenharia Aeroespacial.
«A cortiça tem diversas vantagens: é um material natural e renovável, é um eficaz isolante e é leve, todas estas são vantagens num dispositivo que vai ser colocado em órbita e que chegará, como todos os satélites, ao final da sua vida útil, a certa altura, e será destruído entrado na atmosfera terrestre. A cortiça, por outro lado, tem um especial significado na cultura e na economia de Portugal e da região de Aveiro», lê-se no comunicado pela UA.
Essas vantagens motivaram Nuno Borges de Carvalho, diretor do Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática (DETI), e Martinho Oliveira, diretor da Escola Superior Aveiro Norte, a desbravar este «novo caminho» na Engenharia Aeroespacial.
Martinho Oliveira, também investigador na área dos materiais, sublinhou durante o evento o «papel pioneiro e experimental» do novo dispositivo.
«Mas as inovações não são apenas estas», lê-se, «o CorkSat, da tipologia CubeSat, inclui ainda sistemas inovadores de monitorização da degradação da cortiça (em funcionamento quando for lançado) e de monitorização espectral». Por fora é revestido com painéis fotovoltaicos afixados à estrutura cúbica em cortiça.
Projeto depende da
captação de financiamentos
Este é um projeto «multidisciplinar e colaborativo» que resulta do trabalho de uma equipa que já totaliza mais de 50 membros, com financiamento da Agenda PRR New Space Portugal: professores, investigadores e alunos de Engenharias Aeroespacial, de Computadores e Informática, Física, e Mecânica, para além de membros da comunidade da ESAN.
O projeto foi dividido em três fases: a primeira, que se cumpriu no dia 3, com a apresentação pública à comunidade e lançamento acoplado a um drone que elevou o satélite a algumas dezenas de metros. Uma segunda fase que, com apoio de um balão meteorológico, vai elevar o CorkSat a alguns quilómetros de altura e, finalmente, a colocação em órbita terrestre que implica conseguir oportunidade de lançamento, só possível com financiamento extra da ordem das dezenas de milhares de euros.
Para isso, Nuno Borges de Carvalho fala na possibilidade de criar uma parceria alargada com empresas que se disponibilizem para financiar o lançamento, sendo devidamente reconhecidas por esse envolvimento. A tecnologia do CorkSat está patenteada com o apoio da UACOOPERA, a estrutura responsável na UA pela identificação e instrução interna dos processos de proteção de direitos de Propriedade Intelectual.











