
Em Vagos há quem madrugue para caminhar e… mudar de vida
Quem está está, quem não está estivesse. A hora da partida é mesmo às 6 e 15 da manhã. Não há cá mais minuto nem menos minuto. Até porque, terminada a caminhada, que tem a duração de uma hora, cada um “vai à sua vidinha”, seja para fazer o que for.
Uns vão trabalhar. Outros vão estudar. Há quem ainda vá resolver aquele assunto que está pendente há algum tempo. Não importa o que cada um vai fazer de seguida. O que é realmente importante nesta «história bonita, simples e com impacto real na vida das pessoas» - que fazemos questão de partilhar com os leitores - é que aqueles que integram este grupo de caminhadas chegam, ao final do percurso de cinco ou seis quilómetros (o trajeto «depende sempre dos elementos que aparecem», como nos explicou a fundadora do projeto “Sai da Rotina”, Carla Amador), com a energia em alta, completamente revigorados. Que o diga o nosso diário que numa sexta-feira como tantas outras decidiu “sair da rotina” e madrugar para ir caminhar, livre, sem pressões. E agora quer repetir a experiência.
Passava um minuto das 5.30 horas quando saímos de Aveiro, seguindo pela EN 109, em direção a Vagos. Na estrada, o trânsito era praticamente nenhum. Volta e meia, lá iam aparecendo automóveis, camiões e até trotinetes, conduzidos por certamente quem ia para o trabalho. Nós também estávamos em trabalho, em reportagem, mas, desta vez, o “mood do dia” era diferente. Diferente, para muito melhor.
Quando estacionámos o carro nas imediações da sede da Junta de Freguesia de Vagos (o ponto de encontro deste grupo já com três anos de atividade) seriam perto das 6 horas. Ainda era de noite. O céu estava ainda “adormecido”, apesar de os pássaros, sobretudo melros, já se ouvirem ao longe. Entretanto, e à medida que os ponteiros do relógio se iam aproximando das 6.15 horas, o chilrear foi-se misturando com o barulho dos motores dos primeiros automóveis a chegarem e, pouco depois, com os primeiros “bons-dias” a serem dados, com abraços apertados à mistura.
De uma necessidade pessoal a movimento comunitário
Um desses “bons-dias” foi o da criadora do “Sai da Rotina”, com quem, na véspera, tínhamos combinado esta nossa participação. Foi, precisamente, a partir de uma necessidade pessoal de Carla Amador que surgiu o que é hoje um movimento comunitário que, ao longo da sua ainda curta existência, já envolveu mais de 75 pessoas, de várias faixas etárias. Neste momento, o caminhante com mais idade tem cerca de 65 anos e a mais nova 40.
Para continuar a ler este artigo
nosso assinante:
assinante:










