
Viagem Medieval da Feira arranca terça para celebrar 30 anos como 88 espetáculos por dia
Apontada como o maior evento de recriação histórica na Península Ibérica, a iniciativa organizada por Câmara Municipal da Feira, empresa municipal Feira Viva e Federação das Coletividades locais, envolve o trabalho de cerca de 2.000 pessoas em cada jornada e ocupa 37 hectares no centro da referida cidade do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto – o que abrange ruas e praças, parques e bosques, um museu, uma igreja, um mercado municipal e um castelo classificado como Monumento Nacional.
O programa de 2026 – que assinala três décadas de evolução do evento e um total de 28 edições – conta com 12 áreas temáticas distintas, 19 espaços de restauração e 202 bancas de venda, focando-se este ano na época do Condado Portucalense, na figura de D. Afonso Henriques e sua mãe Teresa de Leão, e nos acontecimentos que antecederam a criação do reino autónomo de Portugal.
«Trinta anos de Viagem Medieval são muito mais do que um número ou uma efeméride – são o motor de uma transformação profunda do nosso território por força da cultura», declara à Lusa o presidente da Câmara, Amadeu Albergaria.
É nessa perspetiva que o autarca social-democrata antecipa a edição de 2026 como «altamente mobilizadora» e lhe atribui «a maior ação coletiva de envolvimento de sempre». Isso reflete-se em estreias como a de terça-feira às 21:00, quando 70 crianças do 1.º Ciclo vão dar a conhecer ao público o resultado das aulas de danças medievais que tiveram no último ano letivo em cinco escolas do concelho.
Uma hora depois, no mesmo dia, segue-se outro momento de grande adesão comunitária, neste caso a repetir em todos os dias do evento: o espetáculo “Filhos da Viagem”, para o qual fora selecionados, mediante inscrição prévia, 500 cidadãos que nasceram em Santa Maria da Feira em qualquer altura desde 1996, pelo que essa performance multidisciplinar – com dança, vídeo, música e fogo – incluirá desde bebés de apenas alguns meses (com o devido acompanhante) até adultos de 30 anos.
«Diria que esta é a edição que mais aposta no futuro e na continuidade, envolvendo diferentes comunidades e, sobretudo, as novas gerações», defende Amadeu Albergaria.
Outro aspeto que marca a celebração coletiva dos 30 anos da Viagem é a distribuição de milhares de pendões com o brasão dos Condes da Feira por moradores e comerciantes da cidade, para decoração de janelas e varandas.
Para Para Paulo Sérgio Pais, diretor-geral da Feira Viva, «a adesão incrível que se sente pelas ruas da cidade reforça a convicção de que valeu a pena este percurso de 30 anos de crescimento e de conquistas nem sempre fáceis».
Evocando a evolução registada desde o lançamento da iniciativa em 1996, quando o evento teve apenas dois dias de duração e se restringia ao perímetro do Castelo da Feira, esse responsável realça: «O maior legado da Viagem Medieval é este orgulho, esta identidade e sentimento de pertença, que não são figuras de retórica e estão à vista de todos».
Com arranque gratuito na terça-feira à noite e depois 12 dias de entrada paga no período das 12:00 ou 13:00 (consoante o dia da semana) até às 00:30, a edição de 2026 envolve um investimento global de 2,1 milhões de euros, o que representa uma redução de cerca de 200.000 face a 2025, quando o evento faturou menos 160.000 euros do que aquilo que custou.
«Fizemos um ajuste aos custos e aos preços das entradas, no sentido do equilíbrio orçamental», explica Paulo Sérgio Pais. «Reduzimos as despesas em várias áreas, nomeadamente conteúdos e logística, mas não cortámos nada em segurança – até a reforçámos», garante.
Outra área em que não houve cortes foi a da distribuição de pulseiras livre-trânsito aos alunos que residem ou estudam nas escolas públicas e privadas do concelho, pelo que cerca de 15.000 estudantes do pré-escolar ao 12.º ano poderão aceder gratuitamente ao recinto, sem limite de entradas, e visitar ainda, até 31 de agosto, o Castelo da Feira, o Museu Convento dos Loios, o Museu do Papel e o Zoo de Lourosa.












