
Cadeia hoteleira Meliá encerra operação em Cuba a partir de sexta-feira
A cadeia hoteleira espanhola Meliá, com 34 hotéis em Cuba, cessará na sexta-feira toda a sua atividade na ilha, devido às "notáveis dificuldades" operacionais, legais e económico-financeiras no país, na sequência do bloqueio imposto pelos EUA.
Segundo comunicado divulgado hoje à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV), a sua filial em Portugal, Ilha Bela - Gestão e Turismo Unipessoal Lda, tomou a decisão de encerrar a operação em Cuba a partir de 24 de julho.
Esta decisão é consequência das "notáveis dificuldades de natureza operacional, jurídica, económica e financeira que, de forma persistente, têm vindo a afetar" Cuba, na sequência do reforço do embargo dos EUA a Cuba, que impossibilita a "mínima estabilidade operacional", salienta a empresa.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou as sanções contra Cuba, proibiu a exportação de petróleo venezuelano para a ilha, deixando-a praticamente sem recursos energéticos, e ameaçou impor sanções a todas as empresas a operar em Cuba por "colaboração" com o regime, liderado por Miguel Díaz-Canel.
A cessação da atividade da Meliá estende-se à utilização de marcas autorizadas, à atividade de acolhimento de turistas e à cadeia de abastecimento local ligada ao aprovisionamento dos estabelecimentos.
Em comunicado, a Meliá explica que está a avaliar os impactos financeiros desta decisão, incluindo a eventual revisão do valor contabilístico associado às operações em Cuba, que concretizará quando publicar as contas do primeiro semestre.
A filial portuguesa, sediada no Funchal, está a trabalhar para garantir uma transição ordenada, de modo a que a saída tenha o menor impacto possível nos colaboradores, fornecedores e clientes, salienta a cadeia hoteleira.
Em maio, quando apresentou os resultados do primeiro trimestre do ano, a Meliá comunicou que tinha encerrado 50% da sua capacidade operacional em Cuba, em consequência do bloqueio comercial dos Estados Unidos.
Segundo explicou na altura, tinha na sua carteira 34 hotéis (alguns deles já encerrados nessa altura, embora não tenha especificado o número exato), com 14.053 quartos, e tinha outros dois em projeto, cuja abertura estava inicialmente prevista para este ano.
Fontes da Meliá indicaram que o portfólio total esteve operacional, em média, 60% dos dias do trimestre, período comprometido "de forma significativa" após a intervenção dos Estados Unidos na região no início do ano, como a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro.
Essa intervenção gerou uma "dificuldade imprevista" na obtenção de combustível, o que, juntamente com o bloqueio comercial, afetou fortemente o mercado turístico.
A cadeia hoteleira registou uma ocupação nos seus estabelecimentos em Cuba de 34,1%, 6,5 pontos percentuais (p.p.) abaixo do primeiro trimestre do ano passado e muito abaixo da média do seu portfólio (58,8%, com um aumento de 1,7 p.p.).
O RevPAR (receita por quarto disponível), situou-se em 34,4 euros, 8,6% menos do que no ano anterior, face a uma média de 84 euros no conjunto dos seus hotéis.












