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«O futuro da agricultura depende da capacidade de produzir riqueza»

O ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, fala-nos da evolução da agricultura nacional nas últimas décadas e as prioridades deste Governo para o setor

Para o Governo de Luís Montenegro, a agricultura é «estratégica e estrutural». As palavras são do ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, que garante que o objetivo do executivo é fazer com que o setor continue a produzir «mais e melhor», ao mesmo tempo que preserva os recursos naturais e reforça a sua capacidade de resposta aos desafios climáticos. Em entrevista, o governante fala-nos ainda da importância da agricultura para a economia e a coesão territorial e a aposta na renovação geracional e no reforço de competências dos trabalhadores do setor.

 

Diário de Aveiro: Nas últimas décadas, Portugal tem registado diferentes padrões de crescimento no setor, nomeadamente ao nível da produção agrícola e animal. Como descreveria a evolução do perfil de produção agrícola português?

João Manuel Fernandes: Em primeiro lugar, há que referir que para o Governo de Luís Montenegro a agricultura é estratégica e estrutural. Por isso, hoje, temos a articulação e o apoio de vários ministérios, como o do Ambiente e Coesão. O Governo da geringonça tentou desmantelar e destruir o Ministério da Agricultura. Hoje, voltamos a ter presença nas regiões através dos vice-presidentes das CCDR’s. Para além disso, as florestas e o bem-estar animal voltaram ao Ministério da Agricultura, lugar de onde nunca deviam ter saído. Respondendo concretamente à sua pergunta: a agricultura portuguesa atravessou uma profunda transformação nas últimas décadas. A entrada de Portugal na então Comunidade Económica Europeia, em 1986, marcou o início de um processo de modernização que alterou de forma significativa o perfil produtivo nacional. Antes da adesão, a agricultura tinha um peso muito expressivo na economia e na vida das comunidades rurais. Com a evolução da economia portuguesa e europeia, assistiu-se a uma redução do peso relativo do setor primário, acompanhada por fenómenos como o envelhecimento da população rural e a diminuição da população ativa agrícola, sobretudo dos mais jovens. Ao longo deste percurso, a Política Agrícola Comum (PAC) desempenhou um papel decisivo. Os apoios europeus permitiram modernizar explorações, promover a mecanização, melhorar infraestruturas e reforçar a competitividade do setor. Paralelamente, as sucessivas reformas da PAC responderam aos novos desafios, incorporando objetivos ambientais, de desenvolvimento rural e de adaptação às alterações climáticas. A agricultura portuguesa soube adaptar-se. Muitas explorações tornaram-se mais especializadas, mais modernas e mais orientadas para os mercados nacional e internacional. Portugal reforçou a aposta em produções de maior valor acrescentado e maior capacidade exportadora, como o vinho, o azeite, os frutos, nomeadamente os pequenos frutos, e os produtos hortícolas. Esta evolução refletiu-se na própria estrutura produtiva. Verificou-se uma redução do peso dos cereais, das plantas forrageiras e da produção bovina e leiteira, enquanto as produções hortofrutícolas, o vinho e o azeite ganharam relevância. No caso do azeite, destacou-se a expansão do olival em vaso e em sebe, particularmente no Alentejo e na área de influência do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva. Em resultado destas transformações, a produção vegetal passou a assumir uma maior representatividade no conjunto da produção agrícola nacional, reforçando a capacidade competitiva e exportadora do setor.

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Julho 8, 2026 . 10:00

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