
Império da IA pede uma abordagem mais humana ao processo de aprendizagem
«Ensinar os alunos a serem humanos» e, até, pedir-lhes «que sejam cada vez mais humanos» é o caminho inovador para a «excelência pedagógica num tempo e numa sociedade sob império tecnológico», com a Inteligência Artificial (IA) a dar (as) cartas.
Ricardo Queirós, do Instituto Politécnico do Porto (IPP), e Eduardo Nunes, docente e CEO (Chief Executive Officer - responsável máximo executivo) da empresa Kendir Studios, que cria jogos educativos para matemática e ciências, assumiram o painel “Humanos vs IA: quem ensina, quem aprende?” da quarta edição do Fórum EPIC - Excelência Pedagógica e Inovação em Cocriação, que se realizou ontem, no edifício da Reitoria da Universidade de Aveiro (UA).
Avisando que, no que diz respeito ao uso da IA, os alunos estão «muito à frente» dos seus professores, pelo que – sublinhou - «é importante» que a classe docente se «alinhe» com essa realidade, o professor do IPP acentuou a «complexidade» da avaliação num ambiente de aprendizagem dominado pela Inteligência Artificial.
«Como avaliar, quando todos os alunos usam IA?!», foi a questão que deixou, cuja resposta poderá – aventou – passar pela avaliação contínua e pela avaliação baseada na oralidade.
Enfatizou ser determinante que as instituições do ensino superior regulem o uso da IA, permitindo que os alunos a ela recorram mediante declaração de que o vão fazer e adequando, por exemplo, as fichas de avaliação a essa realidade.
«Promover a literacia em Inteligência Artificial», com recurso a livros, à inovação pedagógica nas suas instituições e através de cursos online gratuitas, foi outro conselho que deixou ao professorado.
Eduardo Nunes elencou «as competências que a IA não substitui», enumerando a capacidade de análise crítica, de pensamento crítico e criativo, de comunicação, a sensibilidade estética, a adaptabilidade e o gosto e capacidade de trabalhar em equipa.
«Não sou uma máquina; sou um criativo como a IA nunca vai ser», acentuou, sobre a tal humanidade que deverá ser incentivada e reforçada nos alunos.
As universidades de Aveiro, Beira Interior e Minho, juntamente com os Institutos Politécnicos do Cávado e Ave, Leiria e Viana do Castelo, uniram forças para criar, em 2024, o consórcio EPIC, que visa «melhorar a experiência dos estudantes, capacitando os docentes para desenvolver ambientes e processos de ensino e aprendizagem mais inovadores e digitais».
Para continuar a ler este artigo
nosso assinante:
assinante:











