
Bombeiros da Mealhada emitem esclarecimento sobre atropelamento mortal na A1
Um condutor perdeu a vida, ontem, na autoestrada do Norte (A1), na zona da Mealhada, atropelado por uma ambulância dos Bombeiros da Mealhada que teria sido acionada para o socorrer. Segundo apurámos, junto da GNR, tudo se terá passado pelas 22h10, quando a vítima seguia no sentido sul/norte e se terá despistado na sequência de uma condução errática, como terá sido relatado por outros automobilistas.
O homem terá depois começado a andar a pé na berma da autoestrada em direção a sul, com sinais de alguma desorientação.
Cerca de um quilómetro depois terá avistado a ambulância que o ia socorrer e tudo indica que se colocou na estrada para chamar a atenção dos socorristas, mas não terá sido possível evitar o embate, tendo o homem perdido a vida atropelado. Durante a tarde de hoje, os Bombeiros Voluntários da Mealhada emitiram um esclarecimento na sua página de Facebook, sobre o atropelamento mortal na A1, considerando que «estão a ser veiculadas informações erradas» sobre esta ocorrência.
Leia, em baixo, o esclarecimento na íntegra, assinado por Nuno Antunes João (comandante dos Bombeiros da Mealhada) e por Nuno Castela Canilho (presidente da Direção dos Bombeiros da Mealhada).
Esclarecimento sobre o atropelamento mortal na A1
«Considerando os Bombeiros Voluntários da Mealhada que estão a ser veiculadas informações erradas – nomeadamente por simplificação e manipulação de títulos – sobre o atropelamento mortal que aconteceu na noite de ontem, 24 de junho, na Autoestrada n.º 1, no km 214,5, cumpre esclarecer o seguinte:
1. Está sob investigação a hipótese de a vitima mortal ser o condutor da viatura despistada que dá origem à primeira chamada de emergência que, depois, levará os Bombeiros da Mealhada à A1. Podendo tratar-se da mesma pessoa, importa perceber que estava a vários quilómetros do carro sinistrado, pelo que pode, também, não ser a mesma pessoa.
Ou seja, títulos que induzem a que a ambulância do Bombeiros da Mealhada matou a vitima que ia socorrer são simplistas, vazios de confirmação, e induzem em conclusões precipitadas.
2. A fita do tempo que pode ser divulgada e que encadeia a série de acontecimentos confirmados e do conhecimento do Comando dos Bombeiros Voluntários da Mealhada é o seguinte:
a. Circulava de luzes apagadas em condução errática, na A1, no sentido norte-sul, na noite de 24 de junho de 2026, pelas 22 horas, um veículo ligeiro;
b. Em determinado momento, atrás desse veiculo, circulava uma viatura dos Bombeiros Voluntários de Fão. Esta viatura apercebendo-se de algo estranho permaneceu observando o veículo que acabou por entrar em despiste no km 217 da A1.
c. Temos conhecimento que os Bombeiros Voluntários de Fão pararam a viatura e o condutor do veículo sai, mostra-se agressivo e começa a dar murros e pontapés na viatura dos Bombeiros. Os Bombeiros, podendo estar em risco, decidem, então, avisar as autoridades e prosseguir a marcha, apresentando mais tarde queixa contra o individuo. Descrevem o individuo como estando “em tronco nu e de calções de banho”.
d. O individuo terá começado a caminhar para sul.
e. Há um relato que a 300 metros de distância poderá ter sofrido um primeiro atropelamento com o embate do espelho lateral de um furgão no seu corpo.
f. Há um outro relato de um camionista que terá visto “um homem nu a circular na faixa de rodagem”, e que terá avisado as autoridades pelo número de emergência.
g. Há mais um relato de um outro condutor que “por muito pouco” terá conseguido evitar o atropelamento de um homem, nu, que deambulava pela faixa de rodagem da A1. Tendo, também, avisado as autoridades pelo número de emergência.
h. O corpo de Bombeiros Voluntários da Mealhada foi alertado via CODU, às 22h20m, para a ocorrência de um despiste no km 216 da A1. Mobilizou imediatamente uma ambulância com um condutor e um tripulante.
i. Em momento nenhum nos foi reportado que haveria um individuo na faixa de rodagem, nem que estavam a chegar novas chamadas com outras situações que pudessem estar a acontecer na A1, naquela zona.
j. Quando seguiam para o local do sinistro, a ambulância dos Bombeiros, no Km 214,5, atropelou mortalmente um individuo do sexo masculino que circulava sem colete, descalço, em tronco nu e de calções de banho, que inopinadamente se colocou na frente da viatura que seguia, em marcha de emergência, na A1, a mais de 1500 metros do local que lhe foi dado como sendo o local do sinistro.
k. Assim que se deu o atropelamento, os bombeiros tentaram socorrer o individuo, sem sucesso.
l. Foram chamados mais meios ao local, nomeadamente o comando dos bombeiros, forças de segurança e a Brisa, que deram prosseguimento às medidas subsequentes.
3. Os Bombeiros Voluntários da Mealhada lamentam muito o sucedido e estão focados, neste momento, em assegurar todas as condições que possam ajudar os bombeiros envolvidos na situação a superar a situação. Trata-se de uma situação que todos os bombeiros procuram evitar, que contraria o múnus essencial da missão, e que nesta fase é importante ajudar a superar.
4. Os Bombeiros Voluntários da Mealhada esperam pacientemente que toda esta situação, os contornos desconhecidos do sinistro, possa ser esclarecida pelos órgãos policiais competentes, desejando que o cabal esclarecimento de tudo possa ter o mesmo eco que está a ter a alegada informação simplificada e injusta que coloca os “bombeiros portugueses a atropelar mortalmente as vitimas que vai socorrer!”».
«Mealhada, 25 de junho de 2026
Comandante dos BVM, Nuno Antunes João
Presidente da Direção dos BVM, Nuno Castela Canilho»












