
Basqueiral: há mais vida para além dos grandes festivais
Quando vamos a um festival de música e encontramos um lugar para estacionar o carro a 50 passos de uma das portas de entrada, isso quer dizer alguma coisa. Há muitas maneiras de estabelecer as diferenças entre grandes e pequenos festivais e esta é uma delas. Outra é a acreditação de jornalistas.
Consultamos os sites de eventos como o Rock in Rio ou o Paredes de Coura, com protocolos hiper profissionalizados. Obter um passe de acesso implica ler páginas de termos e condições, preencher formulários, enviar fotografias. É preciso cumprir várias etapas, como se nos estivéssemos a candidatar a um emprego na NASA. Mesmo assim, a emissão não é certa, avisam.
No Basqueiral, tudo é mais simples: ligamos a Rui Canastro, da organização, cujo contacto encontramos “online”; explicamos quem somos e o que queremos; ele diz que sim. O processo fica concluído num minuto. No dia combinado, os nossos nomes lá estão, numa folha na bilheteira.
No largo da igreja, contíguo ao recinto, grupos de velhos parecem indiferentes ao festival. Várias mesas da esplanada do Café Paralelo estão ocupadas por homens a jogar à sueca. «Não é sueca, é sobe e desce», corrige um deles, batendo violentamente com um às de espadas no tampo. As pontuações são anotadas por um dos jogadores num pequeno retângulo de papel - está tão absorto no jogo que parece nem reparar que estamos ali. O único homem que nos dá alguma atenção conta que nunca entrou no festival. «Mas é bom para a terra», admite. «Vem muita malta».
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