
VIP da Fan Zone dura apenas cinco dias
A zona VIP instalada na Fan Zone do Rossio para a transmissão dos jogos do Mundial de Futebol 2026 foi desmontada ontem, cinco dias após a sua inauguração, numa decisão que surge depois de várias críticas de munícipes e da oposição ao investimento de 75 mil euros realizado pela Câmara Municipal de Aveiro.
O espaço, inaugurado no dia da estreia da Seleção Nacional na competição, integrava uma área reservada com sofás, cobertura e cortinas, inacessível ao público em geral. A estrutura foi apresentada pelo executivo liderado por Luís Souto como uma das principais novidades da Fan Zone instalada no Jardim do Rossio, composta, ainda, por bancadas, espaços de comes e bebes e um mega ecrã led com sistema de som profissional.
No entanto, apenas cinco dias depois da inauguração, a zona VIP acabou por ser removida este domingo, depois de muita contestação pública ao espaço exclusivo num evento público, financiado pela autarquia.
Cláudia Cruz Santos, deputada municipal do PS na Assembleia Municipal, não demorou a recorrer às redes sociais para comentar o “fim” da zona VIP da única Fan Zone para pela autaquia. A socialista criticou a criação do espaço reservado, questionando o investimento realizado pela autarquia e a opção de criar uma área exclusiva dentro de uma Fan Zone aberta à população. «A Fan Zone custou 75.000 euros, a do ano passado custou 30.000 euros. Aquilo que a nova tinha a mais era aquele camarote enorme, com sofás, cobertura e cortinas», escreveu nas redes sociais.
Cláudia Cruz Santos criticou, ainda, o facto de a estrutura, que segundo a deputada representava uma parte diferenciadora do investimento realizado, ter sido retirada após a contestação pública. «Confrontados com críticas justas e ferozes, decidiram “demolir”. Não lhes ocorreu dar melhor uso ao espaço (agora que já estava feito e que terá de ser pago)», afirmou.
A Fan Zone pública mais cara do país
A polémica em torno da Fan Zone do Rossio intensificou-se, também, devido ao valor do investimento municipal. De acordo com os contratos públicos publicados na plataforma Base.gov, a organização da “Fan Zone Mundial de Futebol 2026” no Jardim do Rossio foi adjudicada à empresa GSX Portugal por 75 mil euros, através de contratação excluída. O valor representa um aumento de 150% face ao investimento realizado pela autarquia em 2025 para a organização da Fan Zone do Mundial de Clubes, também no Rossio. Nesse caso, o contrato, adjudicado à empresa Grovebreeze, ascendeu a 30 mil euros.
A comparação com contratos semelhantes celebrados por outros municípios revela igualmente diferenças significativas. Para esta Copa do Mundo, Cascais adjudicou uma Fan Zone por 19.500 euros, a Maia por 19.950 euros e o Funchal por 20 mil euros. Entre os exemplos analisados, apenas Santo Tirso apresentou um valor mais próximo do caso aveirense, com um contrato de 53.900 euros.
“Uma das melhores do país”
Recorde-se que no dia da inauguração, o presidente da Câmara Municipal de Aveiro, Luís Souto, defendeu o investimento realizado, considerando que o município apostou numa infraestrutura diferenciadora. «Temos uma das melhores Fan Zones do país. Apostámos muito forte neste evento e Aveiro quer estar na primeira linha», afirmou.
Questionado sobre a justificação do investimento de cerca de 75 mil euros, o autarca respondeu que a decisão foi tomada de forma consciente e sustentada em referências da Federação Portuguesa de Futebol. «Tínhamos um referencial da própria Federação Portuguesa de Futebol que apontava para diferentes tipologias de Fan Zones, em que uma delas o valor era superior a 150 mil euros. Nós sabemos que estas coisas custam dinheiro. Não queríamos fazer uma ‘fan zonezinha’. Os mundiais são de quatro em quatro anos e entendemos que era importante fazer esta aposta», declarou.
Relativamente à decisão de desmontar a zona VIP apenas alguns dias após a sua inauguração, tentámos obter um esclarecimento junto da Câmara Municipal de Aveiro sobre os motivos da remoção da estrutura, mas sem sucesso.












